[[legacy_image_226073]] O gypsy jazz entrou na vida de Yan Cambiucci ainda na adolescência. Sem uma explicação lógica, a textura acústica e fervorosa, extremamente orgânica e com sensações que remetem a fábulas, como ele define, o capturou enquanto pessoa e músico. Aos 27 anos, o guitarrista radicado em São Vicente dá vazão ao sonho, com a conclusão do disco Mitsuketa, que acaba de ser lançado nas plataformas digitais. O show de apresentação do álbum será nesta sexta (2), às 19 horas, na Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15). Assim, a música cigana foi a escolha paralela para desenvolver seu trabalho como instrumentista – ele participa de outros projetos, envolvendo blues e hard rock. “Desde o primeiro contato com a música de Django Reinhardt, assim como a de Robert Johnson, ela ficou no meu subconsciente, me guiando, e naturalmente, de alguma forma, veio à tona”, explica. O álbum tem faixas autorais, com experiências vividas por ele desde 2016. Mas são composições que não tinham um fim específico, como tocá-las com uma banda de gypsy ou gravar um disco. “As músicas falam sobre amores intensos, felizes e tristes, lutas sociais, momentos da mais pura tristeza e de quase perdas pessoais, além de outros assuntos em que eu acredito... Tudo sempre muito intenso”. O nome, Mitsuketa, é expressão em japonês que significa “eu encontrei”, que o músico prefere deixar em aberto. A partir do jazzO projeto começou a ser concebido como ideia em 2020 após encontros em sua casa para tocar jazz manouche. Foi algo muito à vontade, diz, quando apresentou o estilo aos amigos, sem muitas pretensões. A pandemia, que chegou em março daquele ano, quase colocou tudo a perder. Uma das participantes desses encontros era Giovana Carvalho, que é a vocalista no álbum. “Durante a pandemia, nós gravamos um vídeo collab, e um grande produtor aqui da região nos chamou pra tocar no seu festival de jazz, sendo uma edição on-line e com público super-reduzido devido às restrições da época”. Para a exibição, ele chamou o amigo Tauanan Nogueira, baixista e parceiro de som, formando o trio. No ano passado, Yan decidiu se inscrever no Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC) com um disco de gypsy jazz – mecanismo de fomento cultural do Governo do Estado. A partir daí, o trio ganhou mais um componente: o saxofonista Maurício Fernandes, que já o havia convidado para uma experiência musical. “Na época, não deu certo justamente pela chegada da pandemia. Agora, retribuí o convite e o Maurício aceitou, abrilhantando o trabalho do trio de forma ímpar”. Sem descanso Noites sem dormir e trabalho redobrado para literalmente tocar o projeto, em meio às outras atividades profissionais, foram um desafio. “Tudo comigo é 8 ou 80, e a produção, mesmo trabalhosa, foi extremamente prazerosa, desde a escrita do edital e todos os trâmites e burocracias relacionados ao ProAC, aos ensaios com os músicos, os momentos de dor de cabeça escrevendo os arranjos, ou mesmo as muitas horas estudando as minhas partes”. Com a produção em andamento, e a sintonia entre os parceiros, faltava a parte prática, que contou com a participação de Nando Bassetto. “Ele cuidou de toda captação, mixagem, masterização, e de me guiar nessa etapa dentro do estúdio, e ensinar sobre todos esses processos. O ‘quê’ é algo que faz a diferença real quando a gente quer ter um trabalho nosso, com a nossa cara. Pois não há ninguém melhor do que eu para saber como esse disco deveria soar”. Yan Cambiucci espera uma acolhida calorosa do trabalho. A explicação é compreensível: “Esse é o primeiro disco de gypsy jazz da história da Baixada Santista, pois nunca houve uma banda desse estilo na região. E além do quarteto, teremos participações muito especiais”.