[[legacy_image_3784]] A forma de pensar e desenvolver novas tecnologias para os portos ganhou um novo e importante capítulo no mês de abril, quando aconteceu o “Hackathon dos Portos” – a 1ª maratona de programação voltada integralmente ao segmento, com o objetivo de desenvolver soluções para os problemas reais. Batizada de BTP Code, a iniciativa de “inovação aberta” idealizada pela Brasil Terminal Portuário em parceria com a Modal GR, mobilizou empreendedores, startups e estudantes de todo o país dentro do terminal da BTP, situada no Porto de Santos, o maior da América Latina. Durante 30 horas ininterruptas, 110 pessoas divididas em 27 equipes elaboraram ideias e programaram softwares pensados para solucionar o desafio de integrar as janelas de atracação dos navios com a escala de trabalho, otimizando, com isso, a jornada de trabalho dos colaboradores da empresa. A maratona de programação, que contou com a mentoria de profissionais da BTP e da Modal GR para auxiliar as equipes com o máximo de informações na resolução dos projetos, não foi apenas um desafio por conta deste ser um mercado nunca antes testado para o formato Hackathon, mas também pelo curto prazo de desenvolvimento, tornando o espaço de trabalho o lar de muitos deles, durante uma noite. Para a gerente de TI da BTP, Fabiana Alencar, esta maratona que “virou a noite” serviu como uma oportunidade para fomentar o empreendedorismo e estimular ideias que ajudem a encurtar o caminho rumo à modernidade. “As equipes foram formadas com pessoas de conhecimentos multidisciplinares, o que contribuiu para uma composição bem integrada, envolvendo fortemente a tecnologia, usabilidade, além de um setor de negócios muito bem estruturado e validado no mercado, por meio dos mentores e especialistas da área”, explica. Segundo o Innovation Catalyst da IBM, Fernando Rych, que foi um dos coordenadores da 1ª maratona de programação em Santos, o Hackathon funciona como um evento cem por cento vivo e dinâmico. “Primeiramente, esta foi uma iniciativa muito madura da BTP, em reconhecer que as pessoas de fora também podem ajudar nos problemas internos, podendo, inclusive, ´oxigenar` alguns processos com novas ideias”, enaltece. Os desafios do mercado portuário O desenvolvimento do Hackathon dos Portos exigiu um nível de conhecimento muito amplo diante da complexidade que o mercado apresenta. Afinal, há muitos fatores externos que se conectam a essa cadeia logística de transporte de carga conteinerizada pelo maior porto da América Latina. “Você controlar este fluxo de produtos sendo exportados e importados, movimentando a economia do país, é uma complexidade que eu nunca vi em outro Hackathon que eu já participei”, afirma Fernando Rych. Apesar de este ser o 1º evento voltado ao porto, houve a preocupação com a solução de um desafio apontado, a fim que novas discussões trouxessem melhorias ao segmento. “Os portos brasileiros estão cada vez mais atentos às janelas de oportunidade para inovação em seus processos, incluindo o uso de tecnologia nas soluções adotadas para impulsionar seus negócios, tornando-se mais competitivos”, explica o diretor administrativo da Modal GR, Luiz Simões. Encontro de gerações Já é sabido que a temática de hackathon mobiliza os amantes de tecnologia, em uma iniciativa transformadora que vem de fora para dentro da empresa. Atualmente, muitos empreendedores e startups enxergam a participação nestes eventos como uma oportunidade de apresentar e realizar novos negócios. É o caso de Flávio Moreira, 30 anos, que já participou de quatro maratonas de programação. “Sou natural de Santos e a cada evento fui ganhando mais engajamento com a comunidade com este ecossistema apaixonante. Assim que soube que haveria o BTP Code - Hackathon dos Portos na minha cidade, logo me inscrevi para fazer parte disso, até pelo fato de também já ter trabalhado em uma empresa de logística, me senti mais confiante”, esclarece o empreendedor, que junto da sua equipe “Praticool”, terminou o evento na sexta colocação. Com a metade da idade de Flávio, Lucas Doki nem esperou concluir o ensino médio para fazer parte da inovadora maratona. Ao lado do pai, seu grande incentivador e já considerado um “hackathoner profissional” e de sua irmã, ele se diz motivado em ter feito parte desta comunidade para adquirir mais conhecimento na área. “Desde cedo, o meu pai me estimula a fazer cursos para a minha evolução. E, claro, poder fazer parte do time dele me ajuda para eu chegar à resposta certa”, conclui o jovem que, em sua primeira participação nesta temática de tecnologia, obteve a segunda colocação junto ao time “Captrue”. Tecnologia e inovação nos portos Para o diretor de assuntos corporativos da BTP, Joel Contente, que foi um dos participantes da mesa julgadora, o balanço da maratona de programação foi bastante positivo. “Esta foi a primeira oportunidade voltada integralmente ao segmento portuário, no Brasil, e tivemos a possibilidade de conhecer ótimas ideias vindas de fora. Acima de tudo, vimos algumas propostas interessantes de soluções para os reais e atuais problemas do nosso negócio, e avaliamos que há oportunidades interessantes de evolução de projetos entre as ideias apresentadas. Esperamos que essa ação de co-criação e inovação contagie positivamente todo o setor, estimulando novas iniciativas desse tipo”, garante. O projeto vencedor foi o “ScaleUp”. O software criado integra diversas funcionalidades para avisar o gestor da empresa sobre os atrasos de navios e a previsão exata de chegada ao terminal. “Conseguimos desenvolver um aplicativo para que o escalador, sabendo desta informação, possa delimitar a quantidade de operadores necessária para determinado período, eliminando uma possível ociosidade do colaborador no terminal”, explica o engenheiro de software, Emerson Silva.