Os despachantes aduaneiros atuam principalmente onde há operações de entrada e saída de mercadorias do país (Divulgação) Por trás da intensa movimentação de navios, caminhões, contêineres e cargas a granel no Porto de Santos, há um profissional essencial para o funcionamento do comércio exterior brasileiro: o despachante aduaneiro. Celebrado em 25 de abril, data que simboliza o reconhecimento e a regulamentação da atividade no país, esse especialista ganha merecido destaque pela relevância de sua atuação. Desde 1988, com base no Decreto-Lei nº 2.472, o despachante aduaneiro tem papel determinante na condução dos processos de importação e exportação, atuando como elo entre empresas e órgãos governamentais. Sua expertise garante conformidade com a legislação, otimiza procedimentos e contribui para a redução de custos e prazos, tornando as operações mais seguras e eficientes. Mas não é apenas no complexo santista que os despachantes aduaneiros agilizam processos, reduzem custos e garantem a conformidade legal. Sua presença vai muito além do sistema portuário. Na terra, no ar e no mar, eles estão em todo lugar. Esses profissionais atuam em aeroportos, fronteiras terrestres, em recintos alfandegados e centros logísticos, e em escritórios, onde operam de forma cada vez mais digital, conectados às novas tecnologias. Eles já são vistos por mais de 47% das empresas como consultores estratégicos, diante da sua capacidade de transformar burocracia em performance, diminuindo prazos e gerando resultados concretos. Vale destacar que, diante de sua importância em todo o mundo, a carreira passou a ser oficialmente reconhecida também pelos paulistas em 2024, quando foi incluída no Calendário Oficial do Estado. A iniciativa ocorreu com a sanção da Lei nº 18.020 pelo Poder Executivo. Não por acaso, já que 65% dos despachantes do país estão no estado de São Paulo, enquanto o Sudeste concentra 35% desses profissionais. A presença predominante está diretamente relacionada ao fato de a área abrigar os principais polos industriais e logísticos do Brasil, e os maiores portos e aeroportos responsáveis pelo escoamento de produtos. Na Baixada Santista e no eixo que se estende de Taubaté a São Sebastião, a categoria é representada pelo Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos e Região (SDAS), entidade secular fundada em 1911 para atuar na defesa organizacional, jurídica e laboral dos profissionais. Em âmbito mais amplo, o grupo também conta com a atuação da Feaduaneiros, que coordena e fortalece a atuação institucional em nível nacional. Carreira Ingressar na carreira de despachante aduaneiro exige uma combinação de formação acadêmica, conhecimento técnico e experiência prática no comércio internacional. Embora não exista um curso específico, especialistas indicam que a base educacional é um dos primeiros passos para quem deseja atuar na área. Em geral, são recomendadas graduações em áreas como comércio exterior, logística, administração ou direito. Esses cursos oferecem fundamentos essenciais sobre operações internacionais, legislação aduaneira e cadeias logísticas globais, que são centrais para o exercício da atividade. Outro ponto decisivo é o domínio das normas e regulamentações vigentes. O profissional precisa conhecer em profundidade a legislação do país onde pretende trabalhar, incluindo regras de classificação de mercadorias e procedimentos de desembaraço. Esse conhecimento pode ser ampliado por meio de cursos de especialização e treinamentos específicos. A experiência prática também é considerada indispensável. Estágios ou atuação em empresas de comércio exterior, agentes de carga, escritórios de despacho aduaneiro ou órgãos públicos ligados ao setor ajudam a consolidar o aprendizado e desenvolver competências operacionais do dia a dia. Em diversos países, o exercício da função depende ainda de licenciamento ou certificação profissional. Esses requisitos variam conforme a legislação local, mas costumam ser fundamentais para validar a atuação do despachante e comprovar sua qualificação técnica. A atualização constante é outro fator determinante. Mudanças em acordos comerciais, normas internacionais e tecnologias aplicadas à logística exigem acompanhamento contínuo por meio de cursos, eventos e capacitações. Por fim, especialistas destacam a importância de habilidades comportamentais, como comunicação eficiente, capacidade de negociação, pensamento analítico e resolução de problemas. Nos novos tempos do comércio global, o despachante aduaneiro é sinônimo de conexão, otimização e modernização de processos.