[[legacy_image_273395]] Um dos clássicos da dramaturgia mundial, O Pai, do autor sueco August Strindberg, volta aos palcos para uma temporada de circulação por São Paulo. Em Santos, a apresentação ocorrerá domingo (11), às 20h, no Teatro Guarany, com entrada gratuita (a bilheteria abre uma hora antes do espetáculo para retirada do ingresso). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Escrita em 1887, O Pai permanece atual ao abordar questões relacionadas a gênero e poder, temas cada vez mais presentes nos debates contemporâneos. Na peça, pai e mãe protagonizam uma briga feroz pelo direito de educar a filha, a representação da geração futura. O alicerce social, fincado no exército, na ciência e na religião, é desestabilizado pela mãe, que lança mão de estratégias inescrupulosas para enfrentar o domínio paterno. “É uma história sobre a luta pelo poder e como eliminar o opositor usando mentiras”, afirma a diretora da montagem, Regina Galdino. Após a aclamada estreia em abril do ano passado, no Teatro João Caetano, na Capital, esta versão de O Pai chega a outros municípios paulistas. Depois de Santos, o espetáculo seguirá para Ribeirão Preto, Lençóis Paulista e São Caetano do Sul. “Toda vez que viajamos, entramos em contato com outras visões e isso é muito importante. Outros públicos nos trazem coisas novas. Temos esta sede de trocar experiências”, diz Regina. O elenco de O Pai traz Marcos Damigo (Capitão Adolf), Tatiana Montagnolli (Laura), Gerson Steves (Doutor Ostermark), Daniel Costa (Pastor Jonas), Beatriz Negri (Bertha), Sérgio Passareli (Soldado Klaus) e a participação especial de Gabriela Rabelo (Margret). Para Marcos Damigo, neste momento, a classe artística está sendo convocada mais que nunca a se posicionar por meio de suas obras. “Assim como na obra de Strindberg, enfrentamos uma guerra implacável entre interesses e necessidades, atravessados pelas estruturas sociais. Ao trabalhar com este texto, descobri que há aspectos além das pretensões do autor, um iceberg imenso e submerso. Decifrar esses personagens é encarar espelhos desconfortáveis”, analisa o ator. Mudanças em meio à pandemia também impactaram adaptaçãoO Pai é conhecido como um dos textos mais contundentes do autor sueco Johan August Strindberg, apresentando personagens complexos, ambíguos e profundamente humanos. Eles lutam desesperadamente para entender uma nova sociedade que estava surgindo, com novos papéis sociais sendo delineados para homens e mulheres. A montagem é resultado de uma busca pessoal da atriz e idealizadora do projeto, Tatiana Montagnolli. “Em 2017, eu estava à procura de uma peça teatral que me impactasse profundamente. Após muitas buscas, encontrei a obra completa de Strindberg. Foi a peça menos conhecida dele que chamou minha atenção. Ao terminar a leitura de O Pai, senti como se tivesse levado um soco no estômago. Uma obra escrita há mais de 130 anos, mas que, em muitos aspectos, segue mais atual do que nunca”. Encontrado o texto, começava o desafio de sua tradução e adaptação para o nosso tempo. Tarefa que coube ao professor, dramaturgo e ator Gerson Steves. “Foi um processo que passou por adaptações. Iniciado em 2017, com um trabalho de atualização linguística, chegamos em 2019 com as primeiras leituras junto ao elenco, ainda com a ativa colaboração do ator Rubens Caribé, que nos deixou tempos depois, sem ter conseguido concluir o seu Capitão Adolf”, relembra Steves. Outro revés viria para trazer novos desafios: a pandemia. “Dois anos depois, quando voltamos a lidar com o texto, já não éramos as mesmas pessoas. O Brasil também não. Aquela obra do século 19 ganhou novos contornos e relevância ainda maior ao lidar com questões como masculinidade tóxica, construção de machismo estrutural, distorção da fé e da ciência, trazendo à pauta assuntos tão necessários para o entendimento das instituições e o decorrente conservadorismo contemporâneo”, completa Steves.