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Segunda-feira

3 de Agosto de 2020

Volta às aulas presenciais na Baixada Santista divide opiniões de pais e especialistas

Plano estadual pode ser anunciado nesta quarta-feira (24)

Se as expectativas se confirmarem, nesta quarta-feira (24), o Governo do Estado anuncia um plano específico para a retomada das aulas presenciais. Além de estabelecer um cronograma para a rede estadual, as medidas devem orientar também ações das escolas municipais e privadas. Apesar do Governo ainda não ter falado em datas, a possibilidade de um retorno já causa polêmica. 

O assunto está dividindo opiniões das famílias e mobilizando sindicatos de professores que encaram a volta das atividades neste momento como um risco muito grande. 

Na semana passada, o governador João Doria (PSDB) afirmou que hoje o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, anunciaria o plano que já vem sendo debatido pela pasta há algum tempo. 
Não se falou até o momento em datas, mas a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, adiantou que foi desenhado um protocolo específico de testagem para a área e o secretário executivo, Haroldo Rocha, que o atendimento presencial seria progressivo: primeiro com 20% dos alunos, depois 50% e, finalmente, 100%. 

Sem segurança

Para Priscila Lima, 37 anos e mãe de três filhos em idade escolar, as medidas não são suficientes para que ela se sinta segura em mandar as crianças para a escola. Ela, que é moradora de Itanhaém e trabalha em casa, faz parte de um grupo no WhatsApp que já reúne mais de 100 pais de alunos contrários à medida. 

“Eu sou totalmente contra a retomada das aulas presenciais”, afirma. Segundo ela, será difícil controlar as crianças em relação às medidas de distanciamento e higiene. “Se há universidade, onde tem pessoas adultas, que decidiu voltar só ano que vem, não tem como exigir isso de crianças”. 

Mais do que a perda de conteúdo, a principal preocupação de Priscila é com a saúde. “Meus pais moram comigo. Minha mãe tem câncer, e aí? Meu filho vai para a escola, pega covid e passa para ela? Quem garante que nossos filhos vão ter imunidade suficiente para enfrentar essa doença? Quem garante que eles não terão essa síndrome que dá em crianças que pegam a covid, que está sendo vista em outros países?”. 

A favor

Por outro lado, a professora Silmara Oliveira dos Santos, de 34 anos, acredita que as aulas devem ser retomadas, sim. Ela, moradora de Santos, tem duas filhas que ficavam em período integral na escola. Durante a quarentena, tem se dividido entre os cuidados com as crianças, as tarefas da escola e o trabalho em um pequeno negócio que toca com o marido.

“Temos que trabalhar o dobro para sobreviver, tenho as atividades dos alunos da escola e com uma criança de 11 meses e outra de 3 anos e meio é muito complicado. Por isso, acho que tem que voltar em sistema de rodízio”. Na opinião de Silmara, o melhor seria dividir as classes em turmas e cada grupo iria para o colégio em determinados dias da semana. 

“Para abrir o shopping pode e para as mães continuarem se sustentando não pode? Se for pensar, quem se dá mal são as mães que estão perdendo emprego, muitas mães solo não conseguem exercer seus trabalhos. Talvez rodízio, período reduzido e não ser obrigado a comparecer. Quem não quer e pode, não leva (o filho para escola). Mas para quem precisa deveria ter essa opção. Quem diz que não vai levar é porque tem com quem deixar. Sogra, mãe ou dinheiro para pagar uma babá”.

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