[[legacy_image_193190]] A moradora de São Vicente, Joana Alves Damasceno, de 82 anos, vai ter que esperar um pouco mais para saber se terá direito a receber indenização pela morte do companheiro Edivaldo Ferreira de Freitas. O marinheiro era um dos 37 tripulantes do cargueiro Sylvia L. Ossa, desaparecido em 1976, no Triângulo das Bermudas. Na última segunda-feira (18), o juiz da 6ª Vara do Trabalho de Santos, Carlos Ney Pereira Gurgel, indeferiu o pedido dos advogados da viúva. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “O juiz deu prescrição, entendeu que o prazo para entrar com a ação era de três anos após a morte presumida do Edivaldo, que saiu em outubro de 2014”, disse o advogado Leandro Furno Petraglia. “Vamos recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para readequar o prazo para cinco ou dez anos”. A ação de Joana é de 2019 e apesar da negativa do juiz em Santos, Petraglia disse que o fato de o magistrado acatar o direito dela de reivindicar a indenização, a partir da comunicação oficial da morte do companheiro, é uma “pequena vitória”. “É um caminho que se abre, uma porta que não se fechou totalmente”, afirmou Petraglia. A expectativa do advogado é que após dar entrada do recurso no TRT-SP, a ação possa ser julgada no período de seis meses a um ano e meio. “A dona Joana ficou triste, mas ainda acredita que a justiça vai ser feita. Ela diz que já vai fazer 83 anos e não tem muito tempo a esperar”. O caso O cargueiro Sylvia L. Ossa, que passou pelo Porto de Santos semanas antes do desaparecimento, em 1976, sumiu no Triângulo das Bermudas, região que forma um triângulo imaginário entre o arquipélago das Bermudas, o estado da Flórida, nos Estados Unidos, e a cidade de San Juan, em Porto Rico, em outubro de 1976. De propriedade da empresa panamenha Ominum Leader, o navio esteve atracado em Santos, segundo matéria de A Tribuna, de 2 a 8 de setembro de 1976. Depois rumou para Tubarão (ES), onde foi carregado com minério de ferro, que tinha como destino a Filadélfia, nos Estados Unidos. A previsão de chegada era 15 de outubro de 1976, mas a embarcação nunca atracou no porto norte-americano. Segundo relatos da época, o comandante informou pelo rádio, no dia 13 de outubro, que enfrentava problemas na região do Triângulo das Bermudas antes do navio desaparecer, deixando apenas um bote salva-vidas à deriva como vestígio.