[[legacy_image_60139]] Com a chegada da variante Delta da covid-19 no Brasil, infectologistas se preocupam com a disseminação do vírus. Mesmo com a Baixada Santista sem casos confirmados da nova cepa, infectologistas reforçam a necessidade de seguir as medida sanitárias, já que a região já tem sete variantes e o risco de transmissibilidade da Delta é maior. Segundo o médico infectologista Ricardo Hayden, a disseminação desta nova variante acende um alerta, já que o risco de transmissão do vírus é maior do que o de outras variantes, pois cada pessoa com a variante Delta pode transmitir o vírus para 1.7 pessoas, enquanto as outras variantes geram um risco de transmissão para 0.5 pessoas. Ainda segundo o médico, estudos mostram que a variante Delta apresenta cerca de 97% a mais de transmissibilidade do que as outras cepas da covid-19. A variante Gamma, por exemplo, é 38% mais transmissível do que cepa original. No entanto, reforça que cada população se comporta de uma forma ao ser atingido pelas cepas. "Uma coisa que é importante frisar para as pessoas é que não há um vigor matemático nisso, como muita gente imagina. Cada população se comporta de um jeito diante do vírus, que varia de acordo com a população e o lugar onde a gente está". A variante Delta também aponta sintomas que são mais confundidos com a gripe, aponta o infectologista. Ele explica que a cepa parece dar menos alterações de olfato e paladar e se manifesta mais com coriza, dor de cabeça e dor de garganta. A eficácia das vacinas contra a covid-19 diante das novas cepas também tem preocupado os médicos. Hayden explica que a variante Beta (originada na África do Sul) não apresenta uma eficácia tão grande com a vacina Oxford/Astrazeneca, conforme indicam os estudos. Outra questão é a de que quem contrai a covid-19 tem a chance de pegar as novas cepas. "As pessoas acham que estão imunes só por ter tido a covid-19 e isso não é verdade, pois essa cepa está infectando as pessoas". O infectologista também reforça que é preciso manter todos os cuidados contra a covid-19, pois se todos os protocolos forem seguidos, o vírus costuma ser transmitido após 15 minutos de contato com a pessoa infectada. Algo que sem os protocolos deixa a chance ainda mais próxima. Quem também reforça que os cuidados precisam ser mantidos, ainda mais no atual momento, é a infectologista Elisabeth Dotti. "Cuidados redobrados, triplicados, centuplicados. A gente continua no vácuo, em uma zona cinzenta em relação à ela (covid-19). Quando a gente começa a ter uma ideia de como controlar a pandemia, aparece uma variante. Então é preciso manter sempre os cuidados. Tudo isso tem que ser redobrado". A especialista também salienta que apesar de não se saber ao certo o quanto as vacinas protegem contra as variantes, nenhuma delas se mostrou totalmente ineficaz até agora. "Uma baixa eficiência não quer dizer que está nulo. A gente pode contar com as vacinas que a gente tem, mas sem sombra de dúvidas toda mutação é preocupante".