O tubarão de 5,5 metros está em exposição no museu, que fica em um casarão histórico em Cananéia; abaixo, à direita, o tacho de bronze usado para derreter óleo de baleia, outra atração do local (Prefeitura de Cananéia/ Divulgação) No extremo sul do litoral de São Paulo, em Cananéia, no Vale do Ribeira, um museu guarda uma das histórias mais impressionantes já registradas no mundo da pesca e da ciência marinha. Entre paredes de pedra e memória colonial, o visitante se depara com o segundo maior tubarão-branco já capturado e o primeiro em exposição em todo o mundo, de acordo com o Sistema Estadual de Museus de São Paulo (Sisem-SP). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Instalado no Centro Histórico de Cananéia, o Museu Municipal Histórico e Artístico Victor Sadowski, também conhecido como Museu de Cananéia, reúne peças que ajudam a compreender a formação de um dos povoados mais antigos do Brasil, combinando arquitetura, cultura caiçara e episódios marcantes da relação do homem com o mar. Gigante dos oceanos preservado O principal destaque do museu é uma fêmea de tubarão-branco capturada acidentalmente em 1992, a cerca de 27 quilômetros da costa de Cananéia. O animal ficou preso na rede de pescadores locais e, na época, chamou atenção por suas dimensões raras: 5,5 metros de comprimento e aproximadamente 3,5 toneladas. Após a captura, o tubarão passou por um processo de taxidermia e hoje está em exposição permanente. Foram encontrados em seu interior restos de outros tubarões, tartarugas e até um boto, o que reforça a importância científica do exemplar e ajuda a explicar por que ele se tornou a principal atração do museu. Trata-se do segundo maior tubarão-branco do mundo já registrado em exposição pública. Arquitetura colonial O acervo está abrigado em um casarão de arquitetura colonial, construído com técnicas tradicionais do século 18. As paredes de pedra utilizam uma argamassa produzida com areia da praia, cal de ostras e óleo de baleia, que era um método comum na época, aproveitando a abundância de matérias-primas locais e garantindo resistência às condições severas da região, como maresia, ventos fortes, alta umidade e chuvas intensas. Um dos objetos que ilustram esse período é um tacho de bronze trazido por navegadores portugueses. Ele foi instalado na Ilha do Bom Abrigo em 1767 e era usado justamente para derreter óleo de baleia, essencial na produção da argamassa que sustentou muitas construções históricas da cidade, entre elas a do museu. Acervo histórico e visitação Além do tubarão-branco, o local reúne peças de época, armamentos bélicos e outros objetos que ajudam a retratar a trajetória cultural e histórica de Cananéia. Segundo a Prefeitura, o museu está aberto de terça a domingo, das 13h30 às 17h30, na Rua Tristão Lobo, 78, no Centro Histórico. Os ingressos custam R\$ 5 (inteira), R\$ 2,50 (meia), e crianças até 5 anos não pagam.