Em meio às enchentes no Vale do Ribeira, as repórteres da TV Tribuna Dione Aguiar e Yasmin Braga têm relatado nos últimos dias um cenário de destruição. Enquanto muitas famílias deixam às pressas suas casas, parte delas com auxílio de equipes de resgate, também há o alento pela solidariedade entre os atingidos pelas cheias, em busca de recomeços. “(Vi) Comércios, residências, moradias completamente cobertos de água. O único meio de transporte aqui era por barco. Uma cena muito chocante”, relatou Yasmin, que também navegou com o repórter cinematográfico Carlos Abelha por vias transformadas em rios, por causa da força e da elevação no nível da água. Dione, que acompanha a situação com o repórter cinematográfico Rinaldo Rori, explica que esse não é o maior desastre que viu. Em 2014, ela cobriu uma inundação que deixou 25 mortos em Itaoca, também no Vale. “A cidade ficou completamente arrasada, parecia cena de filme”, descreveu. Em 2011, no Baixo Vale, lembrou que muitos moradores perderam plantações — a região é fortemente marcada pelo cultivo de banana. “O cenário de enchente é muito triste, porque, mesmo quando a pessoa não perde algo material, tem uma perda de dignidade. Mesmo sendo algo recorrente, surpreende porque você acha que já viu de tudo. Em Iporanga, a família de uma senhora de quase 90 anos já tinha pedido para ela sair, e ela não quis. Foi resgatada pelo neto. A gente lida com muitas emoções num cenário de crise”, comentou Dione. Em meio à destruição, um alento para as repórteres é a capacidade de pessoas desalojadas e que perderam tudo nas cheias de ajudar outros que foram igualmente prejudicados. “O que me chamou muito a atenção foi a solidariedade das pessoas. O quanto, apesar desse momento, eles ainda se ajudam, têm esperança de voltar para casa, de voltar à normalidade, mesmo com todos esses desafios”, descreveu Yasmin. “Nunca vou esquecer o que eu vi aqui no Vale do Ribeira e o quanto está sendo gratificante encontrar essas pessoas.” “(Há) Gente que também perdeu tudo, mas está ajudando o vizinho. É um momento em que podemos ver o comportamento humano mais de perto. Porque é diferente de perder coisas, um carro, emprego (...). O ser humano, no meio disso tudo, ainda pode ser solidário”, reforça Dione.