O presidente da Câmara Municipal de Apiaí, André Luiz Rodrigues de Souza (PSD), fez gesto obsceno para o vereador Paulo Tsujimoto (União Brasil) após desempatar votação a favor do reajuste salarial para parlamentares da cidade (Reprodução/ Redes Sociais) A votação de um reajuste que aumenta em 10% os salários dos vereadores da Câmara Municipal de Apiaí, no Vale do Ribeira, terminou com o presidente da casa, André Luiz Rodrigues de Souza (PSD), mostrando o dedo do meio para o vereador Paulo Tsujimoto (União Brasil). O gesto foi feito na sessão de terça (11), após Souza dar o voto de Minerva à discussão e decidir a favor do aumento. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na ocasião, a votação de aumento salarial estava empatada com cinco votos a favor e cinco contra. A polêmica aconteceu no voto de desempate, dado pelo presidente da Câmara. Ao votar, Souza disse que desempataria a votação para evitar uma vitória de quem ele classificou como hipócritas. À reportagem de A Tribuna, o presidente da casa explicou que usou o termo porque, em outra ocasião, a mesma composição da Câmara votou, de forma unânime, a favor do recebimento do 13º salário para vereadores. “Como os vereadores do nosso mandato receberam o 13º, eles votaram (a favor). Agora, o reajuste, que é para o próximo mandato, a pessoa vota contra e diz que está economizando recursos. Mas não é isso, pois, se fosse assim, teria reprovado o 13º”, diz o presidente da Câmara. A decisão de Souza surpreendeu Tsujimoto, que disse à reportagem de A Tribuna que o posicionamento do presidente era outro. Nesse momento, ele questionou Souza sobre o voto e foi rebatido com o dedo do meio, gesto que causou indignação. “Fiquei sem ação, porque não imagino um presidente da Câmara fazer isso para mim [...] e me envergonho de isso ter acontecido na cidade em que legislo”, diz o parlamentar. -Veja o vídeo (1.423196) Justificativa Questionado sobre o gesto feito, Souza minimizou o ato e atribuiu sua atitude ao fato de a discussão ter sido acalorada. “O que aconteceu lá é o que acontece sempre. Isso ocorre na Câmara dos Deputados, no Senado e até numa partida de futebol. As discussões são acaloradas mesmo. A gente acabou se excedendo, mas não tem nada a ver. O Paulo é meu amigo”, diz. Apesar disso, Tsujimoto afirma que pretende entrar com representações contra o presidente da Câmara Municipal em razão da ofensa sofrida. “Quero mostrar que dentro do Poder Legislativo tem que ter respeito”, declara. Votação Com a aprovação do reajuste salarial que estava em pauta na sessão, os vereadores passarão, no próximo mandato, a receber R\$ 7.584,00 , enquanto o presidente ganhará R\$ 8.668,00. Tsujimoto foi um dos parlamentares que votou contra o reajuste. Segundo ele, o valor recebido atualmente pelos vereadores é suficiente. “Acho que o valor já está bom. Há vereadores que nem pisar na Câmara pisam, nem leem projetos de lei”, afirma. A postura, contudo, foi criticada por Souza, que considerou tal posicionamento uma “demagogia”. Em suas redes sociais, o presidente da Câmara justificou ter votado a favor do aumento. Segundo ele, a votação pelo reajuste é realizada há quatro anos e, na ocasião anterior, prevaleceram os votos contrários. “A gente não aumentou porque a Prefeitura estava em colapso. Hoje, é outro cenário”, esclareceu. Ele ainda se defendeu dizendo que, ao abrir mão de quatro funcionários, gerou uma economia superior ao valor do aumento das despesas pós-reajuste.