[[legacy_image_90172]] Um grupo de pescadores foi surpreendido por duas orcas enquanto pescavam a cerca de 30 milhas da costa de Cananéia, no litoral de São Paulo, na manhã desta segunda-feira (9). Os animais apareceram ao lado da lancha e uma das orcas chegou a passar por baixo da embarcação. O momento, portanto, foi registrado pelo guia de pesca Marcos Paulo Zettritz, de 36 anos. “Sensação que não tem como explicar, medo e alegria”, destaca o profissional. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Guia há 20 anos, Marcos nunca tinha visto esta espécie e ficou impressionado com a proximidade do animal com a embarcação. No momento do encontro ‘inédito’, ele guiava um grupo de quatro pessoas que estavam pescando em um parcel. Ao irem para outro ponto de pesca, passaram por diversos golfinhos. “Parei, o pessoal viu e nós seguimos para outro ponto. Pescamos por cerca de 15 minutos e voltamos para onde estavam os golfinhos”, ressalta. No entanto, o guia viu uma movimentação na água de longe. Por conta da neblina, Marcos pensou que a movimentação viesse dos animais que tinha acabado de ver, porém, ao chegar perto, viu a orca ao lado da lancha. Segundo ele, o primeiro esguicho do animal chegou a molhar as pessoas de dentro do barco. Apesar de fazer um vídeo com pouco mais de um minuto, o guia queria filmar mais das orcas, porém, precisou ir embora. “Um dos clientes ficou com medo de virar o barco”, conta. Segundo o profissional, ele chegou a mencionar que já tinha encontrado com baleias jubartes e nada nunca aconteceu. Porém, o cliente insistiu em se afastar do animal. “Fiz o vídeo rápido, na emoção misturada com medo”, relata o guia, que admite ter sentido receio já que as orcas são conhecidas como “baleias assassinas”. Ao se afastar, ele perdeu os animais de vista por causa da neblina, mas acredita que os mamíferos tinham cerca de oito metros. [[legacy_youtube__FeNe44ziHA]] Nas imagens, é possível ver duas orcas. Enquanto uma se aproximava mais da embarcação, a outra aparece mais distante. “Na hora eu não sabia se filmava ou olhava os bichos”, relata Marcos. Ainda segundo o guia de pesca, ele acredita que os animais eram um casal e que tinham atacado alguma coisa. “Tinham uns restos na água, uma gordura branca”, explica Marcos, dizendo que acredita ter sido de algum filhote de golfinho, já que a embarcação tinha passado por um grupo de golfinhos no mesmo dia. “A gente fica curioso. Eu nunca ouvi falar desses animais na nossa região”, finaliza o guia de pesca. Orcas: nem baleias, nem assassinas Apesar de serem conhecidas como ‘baleias assassinas’ por conta de alguns filmes, as orcas na verdade pertencem à família dos golfinhos. “Embora a gente chame de baleia porque está no grupo dos cetáceos, assim como as baleias. Mas na verdade, a orca é um golfinho e a gente pode notar até algumas semelhanças”, explica a bióloga Nathany Herrera, de 23 anos. Além disso, a profissional ressalta que o animal não apresenta riscos para embarcações, pois não costumam atacar. “Esse estigma criado da orca assassina e etc é super errado”, enfatiza a bióloga. No entanto, os animais são carnívoros e podem se alimentar de tubarão, tartaruga e até filhotes de baleias. A alimentação, portanto, é uma das semelhanças com as outras espécies de golfinhos. “Utilizam os dentes, tem uma arcada dentária para se alimentar, por isso conseguem comer coisas maiores e mais duras”, ressalta. Segundo a bióloga, as orcas podem viajar para o litoral brasileiro por conta do inverno e costumam andar em família. “Por isso é possível ver duas e eu achei que tinham até mais no vídeo”, finaliza.