Milhares de bolachas-do-mar cobriram a faixa de areia de Ilha Comprida (Reprodução/ Redes sociais) Milhares de bolachas-do-mar (Clypeasteroida) estavam espalhadas pela faixa de areia da praia de Ilha Comprida, no litoral de São Paulo, no domingo (8). O aparecimento chamou a atenção de moradores e visitantes, que registraram os animais acumulados em diferentes pontos da praia. (Veja o vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para A Tribuna, o pescador José Soares Bender, de 55 anos, relatou que o acúmulo de bolachas-do-mar foi acompanhado por um forte odor em alguns trechos da praia e que a quantidade avistada não é comum. “Está cheio, empilhado. Sempre tem bolachas no raso, mas esse ano multiplicou muito”, conta. De acordo com a oceanógrafa Julia Lima, gestora da Fundação Florestal, o fenômeno não possui um nome específico e já foi registrado em outros locais e em anos anteriores no próprio município. Segundo ela, uma das hipóteses mais prováveis está relacionada à frente fria que atingiu o litoral de São Paulo durante o fim de semana e deixou o mar mais agitado. “Como as bolachas-do-mar ficam, principalmente, enterradas em bancos de areia rasos, qualquer perturbação pode levar esses organismos até a praia, como uma onda bastante forte ou uma sucessão de ondas fortes que acabam perturbando esses bancos de areia”, explica. -bolachas-do-mar (1.504925) Maré e Lua Cheia Para o biólogo Eric Comin, o período de maré de sizígia também pode ter contribuído para o encalhe em massa. “Agora, nós tivemos uma Lua Cheia, ou seja, uma grande variação de maré. Essas amplitudes muito altas fazem com que esses animais acabem ficando depositados na areia”, diz. Segundo Comin, esses organismos costumam viver agrupados, ou seja, caso um banco de areia seja perturbado, vários podem ser deslocados ao mesmo tempo. Neste caso, quando chegam à faixa de areia durante períodos de maré baixa, muitas bolachas-do-mar não conseguem retornar á água e acabam morrendo. Já a grande quantidade desses seres pode estar relacionada às características naturais do local. “As praias de Ilha Comprida possuem uma predisposição para a ocorrência dessas bolachas, por conta do relevo e da dinâmica costeira das praias, que favorecem a formação desses bancos de areia rasos, que são o hábitat delas”, afirma Julia. Bolachas-do-mar Comin explica que as bolachas-do-mar pertencem ao grupo dos equinodermos – o mesmo dos ouriços e das estrelas-do-mar. Segundo o biólogo, esses animais vivem em fundos arenosos ou com lama, onde se enterram levemente na areia. “Eles possuem pequenos espinhos aveludados com diferentes colorações para diversas espécies, ou seja, cada espécie tem uma cor diferente. Esses espinhos são pés ambulacrários, que servem tanto para locomoção quanto para a captura de alimento”, explica, contando que a bolacha-do-mar costuma se alimentar de larvas, algas e detritos orgânicos presentes no sedimento marinho. Ainda de acordo com o biólogo, a exposição ao sol pode causar a morte das bolachas-do-mar. “A radiação queima a região onde tem essa superfície com os espinhos aveludados, sobrando somente o esqueleto calcário – aquela parte esbranquiçada, que as pessoas geralmente recolhem”, conta. No entanto, o biólogo reforça que retirar esses esqueletos da praia não é recomendado, pois o material faz parte do ciclo natural do ambiente marinho. “Esse carbonato de cálcio faz parte de uma reciclagem do próprio oceano, ele tem toda uma função ali”, afirma. Próximos passos Segundo Julia, a Fundação Florestal está avaliando a situação em conjunto com a Prefeitura e outros órgãos ambientais para definir quais medidas serão tomadas. De acordo com a gestora, a análise inicial indica que muitas das bolachas-do-mar encontradas já estão mortas. A partir dessa avaliação, os órgãos responsáveis irão decidir quais ações podem ser adotadas para lidar com o acúmulo na praia e entender melhor as causas do fenômeno.