A cobra jararaca foi encontrada no quintal da casa (Arquivo pessoal) Um homem de 27 anos encontrou um filhote de jararaca (Bothrops jararaca) no quintal de casa na manhã de sexta-feira (8) no bairro Vila Ponce, em Registro, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. A cobra foi localizada nos fundos da residência, na Rua Jarbas Rocha, em uma área próxima a um terreno tomado por mato alto. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para A Tribuna, o homem contou que havia ido até o quintal para estender uma toalha quando se deparou com a serpente. “Eu me assustei e pensei no meu filho”, recorda o morador, pai de um bebê de 7 meses e uma menina de 10 anos, que vivem na casa com ele e a esposa. “Criança é inocente, acaba achando que é um animal inofensivo, que não vai fazer nada e pode acontecer um acidente”, reforça o pai, mencionando que o bebê costuma permanecer no quintal durante as manhãs utilizando o andador. No entanto, ele estava dormindo quando a jararaca foi encontrada. Sem saber como agir diante da situação, o morador utilizou uma caixa de papelão para afastar a cobra em direção ao matagal. Especialista explica Consultado por A Tribuna, o biólogo Ricardo Samelo explicou que as jararacas são comuns em cidades da região por conta da grande presença de áreas de mata. “Registro é uma região com muita mata, então elas (cobras) estão por toda parte, mas geralmente passam despercebidas”, afirma. De acordo com o especialista, a serpente encontrada pelo morador era um filhote da espécie Bothrops jararaca, cujo aparecimento é mais frequente nos primeiros meses do ano devido ao período reprodutivo que ocorre entre a primavera e o verão. A identificação da espécie da cobra foi possível devido à presença de uma porção esbranquiçada na cauda, chamada de engodo caudal. “Elas mexem a cauda simulando um verme, como uma minhoca. Isso desperta a atenção de animais, que se aproximam e acabam sendo caçados pela serpente. Essa característica está presente nos filhotes, mas depois desaparece”, explica. No entanto, Samelo destaca que tentar capturar cobras sem auxílio especializado pode ser perigoso. “As jararacas são defensivas, e mordem quando se sentem ameaçadas, são muito rápidas em seus botes”, alerta. Segundo o biólogo, se a serpente estiver em uma área natural, o ideal é deixá-la seguir seu caminho. Mas, se o encontro ocorrer em zonas urbanas – como no caso em questão –, órgãos competentes, como a Polícia Militar Ambiental ou o Corpo de Bombeiros, devem ser acionados para recolher a cobra. Em casos de picada, o biólogo orienta procurar atendimento médico imediatamente para aplicação do soro antiofídico. “Quanto antes for iniciado o tratamento, melhor. Geralmente, quando o atendimento é rápido, a pessoa fica bem, e o que resta é o susto e uma história para contar”, diz. Falta de limpeza Após o episódio, o morador passou a cobrar providências das autoridades para limpeza do local. Além da cobra, segundo o pai, outros animais peçonhentos têm aparecido com frequência na residência desde que se mudou para o imóvel, há poucos meses. Foto mostra que o mato atrás da casa do morador está bem alto (Arquivo pessoal) “Têm aparecido rato, aranha e outros bichos venenosos. O mato está muito alto, chegando perto do telhado das casas”, diz. “Se viesse a acontecer um acidente (na sexta-feira), quem iria se responsabilizar?”, questiona. Posicionamento A Prefeitura de Registro foi questionada sobre a falta de limpeza da área, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.