O Porto Grande, como era conhecido, manteve sua relevância até que o canal acabou assoreado após a abertura do Valo Grande (Arquivo Pessoal) Uma das dez cidades mais antigas do Brasil, Iguape, no litoral de São Paulo, já abrigou um porto considerado um dos mais importantes da região, especialmente em um período em que o Porto de Santos ainda não existia. A estrutura funcionou regularmente até a década de 1920 e chegou a ser o segundo mais relevante do estado, atrás apenas do cais santista, como destaca o historiador Roberto Fortes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O Porto Grande, como era conhecido, manteve sua relevância até que o canal acabou assoreado após a abertura do Valo Grande, como explica Fortes. A partir das décadas de 1930 e 1940, iniciou-se um processo de decadência e, já nos anos 1950, o porto perdeu sua utilidade. O cenário também foi influenciado pela abertura das estradas e pela ferrovia Santos–Juquiá, inaugurada em 1914. “O Porto funcionou regularmente até a década de 1920, sendo ainda o segundo do Estado em importância, atrás do de Santos”. De acordo com o site da Câmara Municipal de Ilha Comprida, o canal foi construído por escravizados ao longo de mais de duas décadas e passou a ser utilizado em 1852. Inicialmente estreito, com cerca de quatro metros de largura, o canal rapidamente começou a se alargar, sem resistir à forte corrente de água. Por volta de 1900, com a contenção das margens, foi possível controlar o fluxo de água no canal. No entanto, o Mar Pequeno acabou assoreado, o que passou a dificultar a entrada de navios de grande porte no porto. Com isso, o local deixou de receber embarcações de maior calado, comprometendo o escoamento do arroz e contribuindo para a decadência da cultura do arroz na cidade. Ainda segundo a Câmara Municipal, o atalho criado pelo rio por meio do canal também alterou significativamente o ciclo de cheias que, periodicamente, inundava a região e garantia a fertilidade do solo. O impacto provocado pelo Valo Grande, somado ao declínio da cultura do arroz e a problemas políticos, levou o município a um processo de decadência no final do século XIX. Assim, o que antes era um importante centro agroexportador passou, gradualmente, a perder relevância.