Quem visita Cananéia logo percebe que a cidade integra um arquipélago formado pelas ilhas do Cardoso, Bom Abrigo, da Casca e pela própria ilha de Cananéia (Divulgação) Entre manguezais preservados, praias tranquilas e paisagens cercadas por natureza, Cananéia guarda um dos cenários mais encantadores do litoral de São Paulo. Conhecida pelo turismo ecológico e pela sua história, a cidade reúne opções de passeios em meio à natureza, trilhas, cultura caiçara e construções que ajudam a contar parte da história do Brasil. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Apontada pela revista Condé Nast Traveler como um dos melhores roteiros ecológicos do mundo, a estância turística também carrega séculos de história. Fundada no Século 16, Cananéia, ou “Maratayama”, expressão que vem do tupi que significa “Terra do Mar” — mistura belezas naturais e tradição em um único destino. Quem visita Cananéia logo percebe que a cidade integra um arquipélago formado pelas ilhas do Cardoso, Bom Abrigo, da Casca e pela própria ilha de Cananéia. Além disso, o município conta com uma ampla área continental cercada por seis unidades de conservação ambiental. A região central preserva construções históricas reconhecidas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) desde 1969. Entre casarões antigos restaurados e ruínas espalhadas pela cidade, o local mantém viva parte importante da história paulista. Já a área urbana está localizada na porção leste da ilha de Cananéia, entre dois canais marítimos que formam a famosa baía da cidade. Nos tradicionais passeios de barco, turistas costumam ser surpreendidos pela presença de golfinhos acompanhando as embarcações. A história de Cananéia Reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade, Cananéia preserva em seu Centro Histórico pontos tradicionais como a Praça Martim Afonso de Souza, a Avenida Beira-Mar e ruas antigas, entre elas a D. João III e a Pero Lopes. A importância histórica da cidade ultrapassa o território brasileiro. Em um grande mapa-múndi instalado no bairro de Belém, em Lisboa, capital de Portugal, aparece a inscrição “Cananea, 1502”, marcando o local como o único representante do Brasil entre os pontos alcançados pelas embarcações portuguesas durante o período das grandes navegações. Há estudiosos que apontam Cananéia como possivelmente a cidade mais antiga do país, já que sua origem antecederia em cerca de cinco meses a fundação oficial de São Vicente, em 1532. Apesar disso, não existem registros históricos definitivos que comprovem o título. O que já se sabe é que havia presença europeia na região ainda no início do século 16. Atualmente, o Centro Histórico segue preservando características arquitetônicas que atravessam diferentes períodos, desde o Brasil Colonial até o fim do século 19, mantendo viva a memória da cidade em seus casarões e construções antigas. Destinos paradisíacos Cananéia conta com sete praias espalhadas pelo município: Marujá, Laje, Fole Pequeno, Comunidade, Ipanema, Pereirinha (Itacuruçá) e Pontal do Leste. Entre elas, a Praia do Pereirinha é a mais próxima da região central e, consequentemente, uma das mais procuradas pelos visitantes. Como a área integra o Parque Estadual da Ilha do Cardoso, o acesso diário é limitado a mil turistas — número que costuma ser alcançado ainda pela manhã durante a alta temporada. No verão, as praias da cidade chegam a receber entre 30 mil e 100 mil visitantes. Na Ilha do Cardoso, localizada a cerca de 13,5 quilômetros do centro, os turistas encontram trilhas em meio à Mata Atlântica, cachoeiras e sítios arqueológicos. A cultura local também chama atenção, com festas tradicionais, gastronomia caiçara, pesca artesanal e produção de artesanato. Outro destaque da região é a Cachoeira do Mandira, conhecida pelas piscinas naturais e corredeiras, situada próxima à Comunidade Quilombola do Mandira. Já o Parque Estadual da Ilha do Cardoso, criado em 1962, abriga cerca de 22 mil hectares de Mata Atlântica preservada, oferecendo aos visitantes contato direto com a natureza praticamente intocada. Pontos turísticos A Igreja de São João Batista, localizada na praça principal da cidade, foi erguida pelos jesuítas em 1577 e também servia como proteção contra invasores e piratas. A construção chama atenção pelas paredes grossas, feitas com calcário obtido de conchas e óleo produzido a partir da gordura de baleias capturadas nas proximidades da Ilha do Bom Abrigo. Um dos detalhes que mais despertam curiosidade são as aberturas laterais usadas para posicionar armas em possíveis ataques externos. O Museu Municipal Victor Sadowski, situado na Rua Tristão Lobo, reúne peças históricas e artísticas que ajudam a contar a trajetória cultural da cidade. Entre os destaques do espaço está um tubarão taxidermizado, considerado o segundo maior já registrado no mundo. O animal foi capturado em 1992, mede cerca de 5,5 metros e pesa aproximadamente 3,5 toneladas.