Lucas gritou ao ver o boto se aproximando do seu caiaque no mar de Cananeia (Arquivo pessoal/ @olucasroots) Um guia de turismo de 32 anos levou um susto e, ao mesmo tempo, viveu um momento que considera inesquecível durante um passeio de caiaque no Lagamar de Cananeia, no litoral de São Paulo. Na sexta-feira (30), um boto-cinza se aproximou da embarcação, atingiu o caiaque e jogou água sobre o condutor. A cena foi registrada em vídeo pelo próprio guia, que estava acompanhado de três amigos. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O responsável pelo registro é Lucas Ramponi de Almeida (@olucasroots), morador de Cananeia há mais de dez anos. Ele contou para A Tribuna que o episódio aconteceu por volta do horário do almoço, cerca de cinco minutos depois de entrar na água, nas proximidades da balsa, na região da orla de Cananeia. Segundo Lucas, embora seja comum avistar botos durante os passeios, normalmente os animais permanecem a uma certa distância das embarcações. Por isso, a aproximação inesperada chamou a atenção. O guia estava parado e havia pegado o celular para gravar o animal quando foi surpreendido pelo contato. “Foi algo inédito. Eu estou na água toda semana, com muita frequência, e nunca tinha passado por isso. O boto chegou, bateu no meu caiaque, me deu um banho de água e saiu. Foi um presente do universo”, relatou. -Boto bate em caiaque (1.535532) Surpresa e ausência de ruídos O guia explicou que a aproximação foi ainda mais surpreendente porque os botos são animais rápidos e inteligentes. Na avaliação dele, o fato de estar utilizando um caiaque, que não possui motor, também diferencia a experiência de encontros com embarcações motorizadas. Lucas ressaltou que os ruídos dos motores podem prejudicar o ambiente e os animais. Ele também destacou a importância de respeitar a distância recomendada quando um boto é avistado. Conforme as orientações que conhece, a recomendação é manter pelo menos 100 metros de distância e, caso o animal esteja próximo, desviar para o lado oposto. Paixão pela canoagem A relação de Lucas com a água começou muito antes de transformar a atividade em profissão. Apaixonado pela natureza desde criança, ele sempre gostou de trilhas, acampamentos e atividades ao ar livre. A canoagem, porém, entrou em sua vida em um momento pessoal difícil, após uma separação. Na época, o guia enfrentava um período de desânimo e decidiu procurar um esporte que o ajudasse a recuperar a motivação. Foi assim que começou a remar. Desde então, a atividade passou a fazer parte de sua rotina e também se tornou uma oportunidade profissional. Atualmente, Lucas trabalha com passeios turísticos de caiaque em Cananeia. Ele oferece opções para diferentes níveis de experiência, desde trajetos para iniciantes até percursos avançados, que podem chegar a oito horas de remada. Entre os destinos estão a orla de Cananeia, a Ilha do Pereirinha e praias e rios da região do estuário. “É algo que mudou minha vida. A canoagem entrou de uma forma que me resgatou de todos aqueles pensamentos ruins e daquele mal-estar que eu sentia. Gosto muito de frisar isso: o esporte salva vidas”, afirmou. O guia também está se especializando em caiaque oceânico para, futuramente, ampliar as opções de passeios e oferecer travessias mais longas. Entre os projetos pessoais estão percursos entre Cananeia e Iguape e uma expedição de quatro dias até a Ilha do Mel, no Paraná, com paradas em comunidades locais para conhecer a cultura e a culinária caiçara. Para Lucas, a possibilidade de observar a natureza de perto é um dos principais diferenciais da modalidade. “No caiaque, você está com calma, consegue analisar e ver tudo de perto. Também acessa lugares onde outras embarcações não chegam. É uma experiência única, incomparável”, concluiu.