[[legacy_image_92971]] Um fungo que já dizimou plantações inteiras de banana no exterior se aproxima do Brasil. Produtores da região do Vale do Ribeira, responsável por 70% das frutas colhidas em todo estado de São Paulo, estão em alerta com a Raça 4 Tropical da Fusariose da Bananeira, como a praga é chamada. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Em entrevista à A Tribuna nesta terça-feira (17), o engenheiro agrônomo e responsável pelo levantamento da ocorrência do fungo no estado, Wilson da Silva Moraes, diz que a doença já atingiu bananiculturas em países como Austrália, Malásia, Indonésia, Moçambique. Em 2019, ela chegou à Colômbia, e neste ano já foi confirmada em outro vizinho do Brasil, o Peru. Moraes, que também é fitopatologista da Unidade Técnica Regional de Agricultura da Superintendência Federal de Agricultura que atua no estado de São Paulo, diz que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) vem realizando levantamentos em propriedades rurais, para tentar garantir o status de área livre da praga, e, assim, não prejudicar exportações, por exemplo. Na semana passada, produtores rurais do Vale do Ribeira receberam orientações do Ministério sobre os riscos da entrada do fungo. O diretor da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (Abavar), Silvio Romão, diz que todas as associações de produtores da região intensificaram as ações de prevenção e treinamento para evitar a aproximação do fungo. Como o fungo age A Raça 4 Tropical, tecnicamente chamada de FOC R4T, infecta as raízes e coloniza os vasos condutores de seiva de todas as variedades de banana, em especial a nanica. Ele impede o transporte de água e nutrientes para parte da planta, o que acaba a matando. O fungo pode permanecer no solo por até 40 anos, o que inviabilizaria a produção da fruta por todo esse tempo. “É muito importante prevenir para evitar a entrada desta praga, que pode ser disseminada, principalmente, por meio de mudas de bananeira e solo contaminado aderido aos calçados e às rodas de veículos”, explica Moraes. Segundo o engenheiro, ainda não existe tratamento curativo nem variedades resistentes à doença, mas pesquisas vêm sendo realizadas para introduzir frutas resistentes ao fungo em plantações. "A pergunta já não é mais se a doença vai chegar ao Brasil, mas sim quando ela vai chegar. Então precisamos retardar a entrada dela no país, enquanto as pesquisas avançam", afirma Romão. [[legacy_image_92972]] Atualmente, o Brasil é o quarto maior produtor de bananas do mundo, com área de 466 mil hectares e produção estimada de 6,7 milhões de toneladas. Só em São Paulo, mais um milhão de toneladas são produzidos a cada ano. Desse total, 76,4% da produção é concentrada na região do Vale do Ribeira. "Para o Vale do Ribeira, a banana representa 80% da sua atividade econômica", conta Romão. "É o sustento inclusive de muitos pequenos produtores. São cerca de 25 mil hectares de banana na região", o equivalente a 35 mil campos de futebol. Orientações Segundo o Ministério, é preciso "adotar um único acesso ou entrada de pessoas e veículos no bananal e manter um recipiente para limpeza de calçados e dos pneus dos veículos de visitantes da propriedade é uma das dicas que a equipe repassa aos produtores". Outro cuidado é sobre a importação de mudas. Como a Raça 4 Tropical da Fusariose já foi constatada na Colômbia e no Peru, é proibido trazer desses países mudas de bananeiras e plantas ornamentais, além de artesanatos feitos da fibra de bananeira. “Produtores devem comprar mudas de qualidade de viveiristas inscritos no Registro Nacional de Sementes e Mudas”, diz Moraes. “É importante sempre desinfetar os calçados, ferramentas e equipamentos quando for entrar nas áreas de cultivo, assim você evita a transmissão dessas pragas de uma plantação para outra”, completa.