Mais três casos de febre oropouche foram confirmados na região do Vale do Ribeira pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) até esta sexta-feira (2). Nesta quinta (1º), o número era de dois casos. De acordo com a pasta, são quatro ocorrências em Cajati e outra em Pariquera-Açu. Todos os pacientes evoluíram para cura. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil concentra 90,2% dos casos de febre oropouche, sendo o país com mais ocorrências nas Américas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os 21 estados têm confirmações da doença, transmitida pelo mosquito conhecido como maruim ou mosquito-pólvora: São Paulo (5), Amazonas (3.224), Rondônia (1.709), Bahia (831), Espírito Santo (420), Acre (265), Roraima (239), Santa Catarina (165), Pernambuco (92), Minas Gerais (83), Pará (74), Rio de Janeiro (64), Ceará (39), Piauí (28), Maranhão (19), Mato Grosso (17), Amapá (7), Paraná (3), Tocantins (2), Sergipe (2) e Paraíba (1). De acordo com a Opas, braço pan-americano da OMS, as Américas registraram 8.078 casos da doença do início de janeiro até meados de julho, sendo 7.284 apenas no Brasil. Na sequência, aparecem Bolívia (356), Peru (290), Colômbia (74) e Cuba (74). Frente a esse cenário, a entidade pede aos países que notifiquem qualquer evento incomum relacionado à infecção, incluindo possíveis casos de transmissão vertical (de mãe para filho, na gestação) e mortes - o Brasil registrou dois óbitos pela doença, os primeiros no mundo. O ministério também registrou nove casos de transmissão vertical de febre oropouche, quando a infecção é passada de mãe para filho durante a gestação. São cinco em Pernambuco, um na Bahia e três no Acre. Óbitos Cinco casos evoluíram para óbito fetal e nos outros quatro os bebês apresentaram anomalias congênitas, como microcefalia. Órgãos estaduais de saúde estão analisando se há relação entre essas complicações e a infecção. Nesse cenário, o ministério recomenda reforçar a vigilância durante a gestação e o acompanhamento de bebês cujas mães tiveram suspeita de arboviroses, como dengue, zika, chikungunya e febre oropouche. Sintomas A febre oropouche é uma doença causada pelo vírus Orthobunyavirus oropoucheense (OROV). Ele é transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. Os sintomas da infecção são semelhantes aos da dengue: febre de início súbito, dor de cabeça, dor muscular e dor nas articulações. Outros sintomas, como tontura, dor atrás do olhos, calafrios, fotofobia, náuseas e vômitos, também são relatados. Sobretudo em pacientes imunocomprometidos, há a possibilidade de a doença evoluir para quadros severos, em que há o comprometimento do sistema nervoso central, ocasionando meningite asséptica e meningoencefalite. Em estudo O Ministério da Saúde informou que montou três grupos de pesquisa sobre oropouche. A ideia é aprofundar o conhecimento sobre o transmissor da doença (Culicoides paraensis) e sobre o comportamento do vírus no organismo, além do acompanhamento de estudos científicos em andamento. Participam dos estudos a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Evandro Chagas e a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, do Amazonas.