[[legacy_image_107966]] O índice de cobertura vacinal da população na Baixada Santista vem caindo desde 2018, segundo dados do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI). Naquele ano, 71,10% do público-alvo foi protegido. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Em 2019, esse índice baixou para 62,27%. No ano seguinte, nova queda: 60,22%. Dados parciais deste ano, até agosto, apontam que essa marca é de 57,79%. Esse banco de dados, mantido pelo Ministério da Saúde e verificado nesta quarta-feira (29) por A Tribuna, aponta que esse fenômeno não é isolado; isso ocorreu em São Paulo e no Brasil, em escala semelhante, durante o mesmo período. No ano passado, a cobertura vacinal contra doenças como poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche e febre amarela ficou abaixo dos 50% na região. Diante desse quadro, a Secretaria de Estado da Saúde anunciou que fará, de amanhã até 29 de outubro, uma campanha de multivacinação para crianças e adolescentes de até 15 anos. OrganizaçãoAs prefeituras da Baixada Santista também farão parte da iniciativa e já estão se preparando para que os pais e responsáveis levem esses menores até a unidade de saúde mais próxima para serem imunizados contra doenças preveníveis e suas possíveis complicações. Em 16 de outubro, o terceiro sábado da campanha, das 8 às 17 horas, será realizado o chamado Dia V. Os profissionais estarão atendendo em postos fixos e volantes. É recomendável aos pais e responsáveis que perderam a caderneta de vacinação das crianças e adolescentes o comparecimento no mesmo posto de saúde onde elas foram imunizadas anteriormente. Dessa forma, pode ser possível analisar a ficha de registro arquivada na unidade para verificar quais doses já foram aplicadas. ProteçãoO diretor da Vigilância Epidemiológica de Praia Grande, Rafael Leite, explicou que todas as vacinas de rotina estão disponíveis nas 30 unidades de Saúde da Família (Usafas) durante todo o ano. “Essa campanha é uma oportunidade de checar se falta alguma vacina para determinada criança/adolescente ou se necessita de reforço”, disse. Nas demais cidades da região, a imunização também ocorrerá nas Usafas e unidades Básicas de Saúde (UBSs, que em Santos são chamadas de policlínicas) de amanhã até o dia 29 do próximo mês. A Prefeitura de Bertioga admitiu que, das 19 vacinas oferecidas para esse público, 17 delas têm baixa adesão na Cidade, com exceção das doses contra influenza e da tríplice bacteriana acelular (DPaT, contra difteria, tétano e coqueluche). São Vicente citou que a BCG, que protege contra a tuberculose e deve ser tomada a partir do nascimento, teve uma cobertura de apenas 45,22%, em 2020, e de 24,17% até agosto deste ano. PandemiaO infectologista pediátrico do Grupo Prontobaby e professor da Universidade Federal Fluminense (FF), André Ricardo Araújo da Silva, considera positiva a campanha de multivacinação voltada a crianças e adolescentes. “Tivemos essa queda de cobertura vacinal, apesar do programa de imunização do Brasil ter uma qualidade reconhecida internacionalmente. Com a pandemia de covid-19, devido às limitações de circulação de pessoas e à dificuldade de acesso a alguns postos de saúde, as famílias demoraram para levar as crianças para se vacinar”, explicou. O docente relembrou que, no início da pandemia, o Rio de Janeiro estava se preparando para uma explosão de casos de sarampo. Essa doença é evitada com a vacina, mas muitos deixaram de receber proteção com o passar dos anos. O especialista citou que novos casos surgiram com mais frequência, devido ao grande fluxo migratório de refugiados venezuelanos à Região Norte. “Em 2016, tínhamos recebido o selo da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) de controle do sarampo, mas perdemos esse status.” Só VacinandoO médico patologista clínico e gestor do Grupo Sabin, Alex Galoro, destacou que a maioria das doenças virais não tem tratamento específico, e a grande arma são os imunizantes. “Com o passar dos séculos e dos anos, as vacinas são desenvolvidas para serem cada vez mais eficazes e seguras. A gente não fazer uso dessa ferramenta, por qualquer motivo, é um equívoco. Elas podem evitar doenças que podem causar sofrimentos e sequelas”, ressaltou. Galoro entende que a queda da cobertura vacinal foi provocada, principalmente, pela falta de divulgação de campanhas por parte do Poder Público para lembrar os pais e responsáveis sobre as imunizações durante a pandemia de covid-19. “Em um grau menor, essa campanha antivacina-ção, que é vista em vários lugares do mundo e em alguns países de forma mais forte, também repercute negativamente para que as pessoas busquem essa proteção”, justificou.