Já faz algum tempo que as prefeituras da Baixada Santista não estão conseguindo alcançar a meta de 95% de cobertura vacinal de imunizações. Até agora, este ano, não foi diferente e algumas cidades da região não conseguiram atingir nem 50% do público-alvo. Para especialistas, o problema é um reflexo de movimentos antivacinas que já vinham sendo colocados entre as dez maiores ameaças à saúde pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A campanha de vacinação contra a gripe, por exemplo, registra baixa adesão em todos os municípios da região. Nenhuma cidade atingiu 50% de imunização. A vacinação contra a poliomielite, para crianças, também registra baixos índices em algumas cidades. Em Itanhaém, por exemplo, apenas 2,75% do público-alvo foram imunizados. Para o infectologista Evaldo Stanislau, este é um movimento global que ganhou ainda mais força após a pandemia da covid-19. Para ele, isso foi ‘contaminado’ por questões político-ideológicas, que acabam influenciando muitas pessoas para não se imunizarem. “É fato que, desde que temos vacinas, antibiótico e saneamento básico, a expectativa de vida aumentou. Há mais de dois séculos a usamos com muita segurança. Segundo a OMS, nos últimos 50 anos, seis vidas por minuto foram salvas por serem imunizadas”, comenta Stanislau. O infectologista Ricardo Hayden explica que os movimentos ganharam corpo e se disseminaram inicialmente em países com altos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), como é o caso de países nórdicos, como Noruega, Suécia, Finlândia e Alemanha. Ele também explica que a queda nas coberturas vacinais se deve à baixa nas campanhas nos órgãos governamentais. “Não tenho como afirmar se intencionalmente ou não, mas faz um estrago quando alguém vem e diz que a vacina não presta ou causa evento adverso. Isso se estendeu a diversos segmentos de vacina, gerando queda na cobertura de várias”, afirma. Stanislau considera que para tentar driblar esse problema, o principal instrumento é a educação. Para ele, confrontar opiniões a respeito disso não é a solução. “Eu vivo isso no meu consultório, recomendo vacina, mas não brigo com ninguém e procuro compreender o contexto e vejo se há abertura para diálogo”, explica. Hayden também confia na massifica-ção da informação, em diversos meios e em escolas públicas e privadas, para ampliar as coberturas. O médico afirma que o trabalho de promover a vacina também deve ser de orientação, e não como uma obrigatoriedade. Importância da vacinação Stanislau explica que a vacina possui dois mecanismos de proteção: individual e coletivo. Por isso, o infectologista orienta que é importante que todos estejam vacinados, sobretudo crianças e idosos, para que seja criada uma muralha de proteção que impeça que os vírus infecciosos atinjam a população. “Principalmente nos idosos é importante, pois as vacinas dedicadas a eles são de proteção individual, visto que a partir dos 50 anos, o sistema imunológico começa a enfraquecer. O mesmo serve para as pessoas imunossuprimidas e com doenças crônicas”, relata. Hayden comenta que a importância da vacina é indiscutível. O especialista admite que eventos adversos podem existir, mas explica eles acontecem sempre em um nível baixo e em casos isolados. Acima disso, o infectologista ressalta que as vacinas possuem a capacidade de bloquear o crescimento exponencial de certas doenças e impedem modificações de agentes causais. “Por isso, é necessário que seja feito um trabalho mais efetivo de conscientização a respeito das imunizações, dar maior importância e abraçar essa causa”, finaliza Hayden. Trabalho de prevenção A Tribuna questionou as nove cidades da região sobre os trabalhos que vêm desempenhando no incentivo à vacinação. Em resposta, informaram que vêm investindo na vacinação nas escolas, em Dias D de imunização e em projetos itinerantes. Além disso, há a disponibilidade diária de vacinas em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Policlínicas e Estratégias Saúde da Família (ESFs), bem como abertura dessas unidades em alguns finais de semana ou em horários estendidos. Em alguma delas, ainda é realizada a busca ativa de pacientes por meio de equipes de saúde, além da vacinação domiciliar para pacientes acamados e institucionalizados. Por fim, os municípios informaram que também vêm fazendo ampla divulgação das campanhas em redes sociais e sites oficiais.