O Ministério da Saúde suspendeu preventivamente a vacina contra a dengue do Instituto Butantan, para analisar efeitos adversos da aplicação (Governo de SP/Divulgação) A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan impactou os nove municípios da Baixada Santista. Seguindo orientação do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Governo do Estado, as prefeituras interromperam a aplicação do imunizante e mantêm as doses remanescentes armazenadas até a conclusão das investigações em andamento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Levantamento realizado junto às administrações municipais mostra que, ao menos, 3.336 doses da vacina Butantan-DV foram aplicadas na região. O imunizante foi destinado principalmente a profissionais da saúde da Atenção Primária, seguindo os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Santos registrou o maior número de eventos adversos pós-vacinação. Segundo a Secretaria de Saúde, foram 58 dos chamados Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (Esavi). Os sintomas: coceira, dores musculares, petéquias (pontos roxos, vermelhos ou marrons na pele) e indisposição. Em todos os casos, não houve complicações. Bertioga informou ter recebido 30 notificações de reações adversas. Cubatão registrou reações esperadas em 31 dos 272 profissionais imunizados, o equivalente a 11,39% dos vacinados. Os sintomas mais comuns foram dor de cabeça, dores no corpo e surgimento de petéquias. Em Mongaguá, dois casos de eventos adversos foram registrados, com relatos de dor de cabeça, dores no corpo e manchas vermelhas na pele. Os pacientes foram acompanhados pela Vigilância Epidemiológica e não houve agravamento dos quadros. Peruíbe relatou apenas reações consideradas esperadas após a vacinação, sem registro de eventos graves. Já São Vicente, Praia Grande e Guarujá afirmaram não ter identificado reações adversas graves entre os vacinados. Sem preocupação O infectologista Gerson Salvador, do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), disse que as pessoas que já receberam a vacina do Butantan não devem se preocupar. Segundo ele, os eventos adversos estão sendo investigados e, até o momento, não há comprovação de que tenham sido causados pela vacina. “É importante destacar que estamos falando de aproximadamente meio milhão de pessoas vacinadas e de três casos graves que ocorreram após a vacinação, sem que ainda exista confirmação de que tenham sido causados pelo imunizante”. Salvador ressaltou que a vacina demonstrou proteção significativa contra formas graves da doença. “Quem recebeu o imunizante deve ficar tranquilo e atento apenas à ocorrência de algum efeito adverso no período inicial após a aplicação”. Suspensão é medida excepcional De acordo com o infectologista, a interrupção da vacinação não é uma medida comum, mas faz parte dos protocolos de segurança. Para Salvador, a suspensão demonstra que os mecanismos de controle e monitoramento do Sistema Único de Saúde (SUS) estão funcionando adequadamente. “A farmacovigilância existe para isso. Se ocorre algum evento grave após a vacinação, ele precisa ser analisado. Do ponto de vista técnico, a decisão de suspender temporariamente a aplicação para aprofundar as investigações foi correta”, afirma. “Houve uma comunicação transparente das autoridades de saúde e, na minha opinião, a decisão foi acertada”, complementa o especialista. O infectologista também alertou para que a suspensão temporária não seja interpretada como uma prova de que as vacinas não são seguras. “As vacinas salvam vidas. Temos inúmeros exemplos ao longo da história de doenças que foram controladas ou eliminadas graças à vacinação”. A suspensão O Ministério da Saúde anunciou segunda-feira a interrupção temporária da estratégia de vacinação com a Butantan-DV após a identificação de 42 casos com sinais de alerta entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas no País. Entre os sintomas observados estão dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Desses casos, três foram classificados como graves, incluindo duas mortes. Segundo o Ministério, ainda não existe comprovação de que os eventos tenham sido causados pela vacina, mas a medida foi adotada de forma preventiva, para permitir investigações mais aprofundadas. Adolescentes Apesar da suspensão da Butantan-DV, as prefeituras ressaltam que a vacinação contra a dengue continua normalmente com a Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda. Em Santos e Cubatão, por exemplo, a imunização segue disponível para adolescentes de 10 a 14 anos, conforme as recomendações vigentes do SUS. O Governo do Estado, o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan afirmam que a suspensão tem caráter preventivo e não invalida os resultados de eficácia e segurança observados até o momento. A retomada da vacinação dependerá da conclusão das análises conduzidas pelas autoridades sanitárias. Doses por cidade A cidade com o maior número de aplicações foi Santos, com 951 doses administradas. Em seguida aparecem Praia Grande, com 764, Guarujá, com 521, São Vicente, com 373, Cubatão, com 272, Peruíbe, com 179, Bertioga, com 153, e Mongaguá, com 123 doses. Itanhaém informou que não conseguiu levantar os dados devido ao feriado municipal de São José de Anchieta e deverá divulgar as informações posteriormente.