[[legacy_image_157307]] Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes é extremamente otimista quanto ao investimento que o País tem feito na sua área de atuação. Mesmo diante de cortes no orçamento por parte do Governo Federal, inclusive para pesquisas, ele acredita que o Brasil está no rumo certo. Rebate, ainda, qualquer insinuação de que o presidente Jair Bolsonaro (PL) é negacionista ou tem algo contra a Ciência e as vacinas. Único astronauta brasileiro a ir ao espaço, em 2006, Pontes usa sua história de sucesso para conquistar o público em suas palestras, como a que fez na última sexta-feira para alunos da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos. Formado em Ciências Aeronáuticas e Administração Pública pela Academia da Força Aérea Brasileira e em Engenharia Aeroespacial no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o ministro tem motivos pra esbanjar simpatia: ele pretende continuar na política. Deve entrar no PL, mesmo partido de Bolsonaro, para ser candidato a deputado federal. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Qual o destaque do Governo Federal na área de Ciência, Tecnologia e Inovações? A liberação do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Significa R\$ 5 bilhões a mais por ano para investimentos em projetos de Ciência, Tecnologia e Inovações. A gente passou por muito aperto orçamentário, desde 2013 o orçamento vem caindo. O que foi feito no ano passado é um ponto de inflexão no financiamento de Ciência do País, o que muda a história completamente. Agora temos uma série de projetos estruturantes sendo desenvolvidos no País graças ao financiamento do FNDCT. Mas no ano passado houve corte de R\$ 655 milhões no FNDTC... Esse recurso estava previsto sair e da noite para o dia foi transferido para outras coisas. Lógico que eu reclamei, faz parte do meu trabalho. E aí foram repostos R\$ 150 milhões, que conseguimos aplicar até o fim do ano. Além disso, teve mais redução de verbas para pesquisa... Nós tivemos, assim como os outros ministérios. Lembrando que, na pandemia, grande parte do orçamento foi destinada para a assistência social, o que é importante, não tem nem o que discutir. Apesar dos cortes, conseguimos, fazendo uma boa gestão, resultados estupendos mesmo durante a pandemia. No primeiro ano (2019) o corte (do orçamento) foi de 42%, e quando a gente pegou o Ministério tinha um déficit de R\$ 330 milhões para as bolsas do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que foi aprovado no orçamento de 2018. Eu não deixei cortar bolsas. A gente conseguiu, num sufoco, pagar todas as bolsas, sem cortar nenhuma. Em 2020 e 2021 não tivemos problemas. Eu corto muito na administração, tive setores que cortei 70%. Eu diria que a parte de orçamento está equacionada no Ministério. Mas você quer um problema? Temos problema de pessoal. A gente não tem concurso público para pesquisadores e tenho pedido há muito tempo. Tem unidades do Ministério funcionando com 50% do pessoal e metade já pode aposentar. Se acontecer isso eu tenho que fechar unidades. Eu tenho conversado para resolver esse problema com maneiras de gestão, trabalhando com organizações sociais, estamos discutindo isso. A vacina contra a covid-19 foi desenvolvida graças ao trabalho de pesquisa. Qual a sua avaliação sobre isso? É essencial. É um marco na história do País o fato de nós desenvolvermos. Começamos investindo em 15 tecnologias de vacinas nacionais, mais uma em parceria com os Estados Unidos. Destas, cinco já entraram na Anvisa para serem libradas para testes clínicos. Temos o Centro Nacional de Tecnologia de Vacinas sendo construído, que vai permitir uma estrutura perene, não só para covid, mas outras pandemias. E vão vir outras pandemias, o Brasil precisa estar preparado. Investimos R\$ 32 milhões no começa do desenvolvimento das pesquisas das vacinas, o que ínfimo se comparado com o retorno desse investimento. Agora, para a fase de testes clínicos, o investimento é maior: R\$ 30 milhões para cada vacina em teste fase 1 e 2 e mais R\$ 300 milhões para a fase 3. Se você comparar com o que as vacinas internacionais gastaram no desenvolvimento, vai ver que o que temos conseguido fazer no Brasil com investimento menor é muito marcante. E com o Centro Nacional de Tecnologia de Vacinas, o País vai ser capaz de desenvolver vacinas em um ano, um ano e meio, antes era em 10 anos. O senhor é uma pessoa da Ciência, enquanto o presidente Bolsonaro vai até contra a vacina, de forma negacionista. O que senhor pensa sobre isso? Eu penso que o presidente não é negacionista, que ele tem feito o seu trabalho. Se o presidente fosse contra a vacina, ele não pagaria para isso. O Governo Federal pagou por essas vacinas que as pessoas estão tomando no Brasil. O SUS tem trabalhado muito bem e é do Governo Federal. Ele pagou pelo desenvolvimento de todas as vacinas nacionais. Eu acho que as pessoas tem que começar a prestar atenção nos resultados e sair da narrativa, de discurso pra lá e pra cá, isso não funciona. O Brasil está indo bem, é um dos países mais vacinados do planeta. (O conjunto) ciência, tecnologia e inovações é o coração do desenvolvimento de todos os países desenvolvidos. E um dos problemas que seguravam muito o Ministério era a falta de orçamento. Agora, com esse problema resolvido, a perspectiva do Brasil é gigantesca. A gente tem recursos naturais e capacidade científica. Precisamos incentivar a formação de mestres e doutores, inclusive dentro da indústria, do setor privado. O Brasil tem tudo para deslanchar. O senhor pretende continuar no Governo, caso Bolsonaro seja reeleito? Se filiou ao PL, será candidato a deputado federal? Eu pretendo, sim, continuar no Governo. Sou pré-candidato, aqui em São Paulo, a deputado federal. Essa é a ideia primária do PL. Existem algumas conversas sobre concorrer a senador, mas eu penso mais em sair a deputado federal, acho que posso ajudar bastante. Já fiz minhas conversas com o partido e agora é assinar minha filiação. Ser ministro era o que o senhor esperava? Tem muitos desafios, mas você aprende muito. Uma coisa muito boa que o presidente permitiu que foi me dar a liberdade para escolher as pessoas. Então escolhi um time muito técnico. Meu secretário de Pesquisa e Formação, doutor Marcelo Morales, é médico, cientista e membro de três academias. O cara é um gênio. Ter esse cara muito bom do lado me ajudou a desenvolver um monte de coisas na área de pesquisas. Então escolhi um time muito bom. Minha função como líder é ajudá-los a desenvolver seus talentos e dar a eles ferramentas para conseguirem fazer. Eu não posso falar que trabalho, eu me divirto fazendo isso. Consegui desenvolver coisas históricas no Ministério, vamos ver agora no Legislativo, será um novo desafio.