Cidades de Peruíbe e Iguape foram cogitadas para receber usina nuclear no Brasil (Divulgação/Prefeitura de Peruíbe) O litoral de São Paulo esteve perto de receber usinas nucleares em Peruíbe e Iguape, entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1980. A mobilização foi tão grande que políticos, incluindo vereadores e prefeitos das cidades do Vale do Ribeira, se uniram para se opor à implantação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em 1977, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha Ocidental, HansDietrich Genscher, havia declarado que seu país cumpriria o contrato de venda de uma usina nuclear ao Brasil, a despeito da oposição do então presidente americano Jimmy Carter. A declaração foi feita durante uma reunião de uma hora mantida com o primeiro-ministro do Japão, Takeo Fukuda, em sua residência oficial. No mesmo ano, em dezembro, foi confirmado que o Estado de São Paulo teria sua usina nuclear, especialmente devido ao aumento da demanda por energia elétrica. Segundo publicado por A Tribuna na época, o presidente da Companhia Energética de São Paulo, Luiz Marcello Moreira de Azevedo, afirmou que o parque poderia ser instalado entre Iguape e Peruíbe. Conforme publicado por A Tribuna, em 1979, os vereadores do Vale do Ribeira organizaram um protesto contra a instalação da Usina Nuclear na região. A manifestação aconteceu durante uma reunião da União dos Vereadores do Vale do Ribeira. O vereador Lula Antonio Martins Barbosa declarou, na época, que caso aceitassem a instalação da usina, estariam colocando a região em grande perigo e comprometendo toda a sua ecologia. Instalação de usina nuclear foi cogitada na Baixada Santista e no Vale do Ribeira (Imagem ilustrativa/Pixabay) A anunciada usina nuclear em estudo seria construída no município de Iguape, no bairro da Juréia. Ainda na mesma reunião, outro vereador destacou que a usina representaria uma grande ameaça e que ela não traria nenhum benefício ao Vale do Ribeira e ao Brasil. Ele sugeriu ainda que, em vez de usinas atômicas, seria necessário a construção da barragem de Eldorado. Cananéia também se opôs à instalação da usina nuclear, o que preocupou o prefeito José Herculano de Oliveira Rosa na época. Ele afirmou que, sendo um município que vive essencialmente de turismo e enfrentando diversas dificuldades, como a falta de estradas, escolas e saneamento, a usina seria uma verdadeira ameaça ao seu meio ambiente.