[[legacy_image_254259]] Viralizou em todo o Brasil o caso de três jovens que debocharam de uma estudante de biomedicina com mais de 40 anos de idade em uma universidade particular de Bauru, no interior de São Paulo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A Tribuna conversou com três universitárias do litoral de São Paulo que já passaram dos 40 e ingressaram na faculdade. A jornalista Daniela Origuela, de 42 anos, estuda atualmente licenciatura em Letras, mas entrou na faculdade de Jornalismo aos 30 anos de idade, o que ela considera "acima da média". "Meus colegas, na ocasião, eram 10 anos mais jovens. Há sim diferenças com relação às nossas vivências de acordo com o período em que nascemos e crescemos. Por exemplo, eles cresceram com internet e redes sociais, nós temos outras experiências. O bacana é a troca que se dá. Me sinto muito respeitada, querida e acolhida". [[legacy_image_254260]] Ela iniciou a graduação em Letras no ano de 2022, depois de ganhar uma bolsa integral em um processo seletivo para formação de professores. "No jornalismo também atuo com Educomunicação e foi despertando a vontade de ir para a sala de aula de fato, ser professora. Me inscrevi e fui selecionada", relembra. O caso de Bauru chocou a estudante, que lamenta ainda existir esse tipo de comportamento. Para ela, o que aconteceu serve como uma oportunidade para discutir o etarismo. "Embora não tenha passado por nenhum constrangimento por conta da idade no ambiente acadêmico, o etarismo existe, especialmente na área profissional. Pessoas com mais de 40 anos encontram dificuldade no mercado de trabalho, mesmo sendo amplamente capacitadas", finaliza. [[legacy_image_254261]] A funcionária pública Soeli Costa da Silva e Silva, de 45 anos, está no nono semestre da faculdade de Direito em Peruíbe. Ela entrou no curso incentivada pelo seu filho, que havia começado a estudar o mesmo curso um ano antes. Ela conta que antes, chegou a estudar Relações Públicas, mas interrompeu porque era complicado ir para Santos estudar e deixar os filhos pequenos em casa. Quando decidiu voltar para a faculdade, porém, mudou de opção. "Eu ja tinha uma outra visão de mundo, de vida. A aceitação foi muito positiva, tive apoio dentro de casa, dos familiares, dos colegas de trabalho. A faculdade também foi bem receptiva", conta. Na sala de Soeli, os alunos mais velhos são maioria e já estão com a vida estabilizada, segundo ela, que conta nunca ter sofrido dificuldade na faculdade por conta da sua idade. "Muito pelo contrário, sempre tive apoio dos colegas de sala". A atitude da funcionária pública de Itanhaém acabou por incentivar colegas de trabalho e amigas a fazerem o mesmo. "Eles voltaram a estudar depois de 20 anos por incentivo meu. Acho que minha atitude incentivou outras pessoas".