O percentual de pessoas com Ensino Superior completo na Baixada Santista está abaixo da média estadual, e sete das nove cidades locais têm índice abaixo do resultado nacional médio de pessoas com diploma universitário. Os dados são do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice médio de pessoas da região que cursaram uma faculdade é de 19,61% dos adultos pesquisados, quase um em cada cinco. Porém, apenas Santos superava esse nível, com 36,68%, o que a põe na sexta colocação no País nesse indicador. A mais próxima da média regional foi Praia Grande, com 17,6%. Mesmo assim, abaixo do resultado estadual, de 21,54%. O índice nacional de formados em cursos superiores atingiu 16,75%, mais do que a média de todos os outros municípios da Baixada (veja quadro). Dos 276.072 moradores da Baixada com escolaridade superior, 45,8% moravam em Santos na época do Censo (126.504). Caso se tirasse a Cidade da conta, seriam 149.568 pessoas com nível universitário entre 1.063.240 adultos na região, o que reduziria a proporção para 14,07%. A cidade local com menor percentual de residentes com Ensino Superior completo é Cubatão, sede do Polo Industrial da região: 10,07%, ou 8.490 pessoas. Das 5.570 cidades brasileiras, ocupa a posição de número 2.382. Formação Por causa do percentual de formados em faculdades, Santos tem o menor índice da região de pessoas com níveis inferiores de escolaridade. O índice dos que têm Ensino Médio completo ou Superior incompleto (36,99%) supera por pouco o de munícipes com Ensino Superior concluído. É de nível médio ou curso superior não terminado a principal fatia na Baixada, com 572.254 adultos, ou 40,64% do total. Está em Cubatão o índice mais alto (44,62%), em contraste com sua menor proporção de diplomados em faculdades. Mais de um terço dos residentes na Baixada que concluíram o Ensino Superior (36,41%) são formados no segmento de Negócios, Administração e Direito: 97.108 pessoas. Depois, estão os diplomados em Saúde e Bem-Estar (14,93%), Educação (13,39%) e Engenharia, Produção e Construção (10,68%). (Reprodução) Escolha da carreira conta com influência de demandas locais Professores de Economia avaliam que a predominância de formados em cursos de Negócios, Administração e Direito está ligada às principais demandas econômicas locais, impulsionadas pelo Porto. Veem potencial para diversificação, desde que governos, empresas e universidades adotem estratégias conjuntas. “A qualificação da mão de obra local não é apenas um diferencial competitivo, mas uma necessidade para garantir o crescimento sustentável da Baixada Santista nos próximos anos”, considera a economista Célia Rodrigues Ribeiro, coordenadora do curso de Ciências Econômicas da Universidade Católica de Santos (UniSantos). Setores como os de tecnologia, inovação e economia criativa poderão dispor de maior oferta de cursos caso haja medidas como parcerias entre universidades e empresas, expansão de cursos tecnológicos mais curtos e para demandas específicas e políticas públicas de incentivo à educação, como bolsas e financiamento estudantil, diz Célia. Doutor em Economia e professor de Economia Regional e Urbana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo de Sá Porto avalia que a existência de mão de obra qualificada também em setores além dos mais procurados na região seria atraente para empresas dessas áreas — como as de tecnologia, engenharia, finanças e saúde. Porto salienta que “empresas de tecnologia, startups e indústrias avançadas tendem a se estabelecer onde há capital humano qualificado”. Em regiões com mais graduados e especialistas, é mais fácil recrutar mão de obra e se reduzem os custos com treinamento, afirma. Ao refletir sobre a realidade local, ele julga “provável que empresas que tenham esta necessidade de mão de obra mais qualificada optem por se localizar em outras regiões, tais como a Região Metropolitana de São Paulo ou a de Campinas”. Há outra comparação, apresentado por Célia: a Baixada tem número de matriculados no Ensino Superior acima do de outras regiões, mas está abaixo delas em quantidade de alunos em universidades públicas. Por exemplo, enquanto a Baixada tem 17,6% de estudantes em instituições estaduais ou federais, em Ribeirão Preto são 32,7%, e em Franca, 36,2%. Os dados expostos pela economista são do Sindicato das Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado (Semesp).