Mesmo após serem colocadas barreiras de concreto dentro do túnel do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), entre as estações João Ribeiro e Nossa Senhora de Lourdes, na divisa de Santos e São Vicente, a Reportagem flagrou pessoas em situação de rua e usuários de drogas pelo local. Na semana passada, a porta de um vagão do VLT foi vandalizada dentro do túnel. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ainda que com a instalação das barreiras o problema não tenha sido resolvido totalmente, moradores do entorno e quem passa pela área constantemente são unânimes em afirmar que houve melhora. Há dois anos pegando o VLT na Estação Nossa Senhora de Lourdes, em Santos, uma trabalhadora que não quis se identificar contou que já teve medo de passar por ali. “Ficava cheio de gente. Muitos até lavavam roupa em uma bica. Quando via que tinha muita gente, eu esperava outras pessoas que iam à estação para não ter que ir sozinha”. Para ela, depois das barreiras, a situação melhorou. Por isso, afirma que o caminho de ida e volta ao serviço, que fica próximo ao túnel, se tornou mais seguro. Minimizado Quem também notou a diferença foi a aposentada Maria Lucia, de 63 anos, que mora próximo ao túnel desde que nasceu. “Senti que ficou mais tranquilo. Nunca tive problema na minha casa, mas sempre vinham pedir alguma coisa e agora não mais”. Antes das medidas, relembra, o acúmulo de lixo também era notório. Agora, por mais que algumas pessoas ainda fiquem no local, esse problema foi resolvido. Na avaliação do motorista Roberto Diniz Santana, de 62 anos, a instalação das barreiras melhorou a situação. Mas ele crê que a colocação de uma base policial próximo ao túnel poderia resolver o problema por completo. “Eles podem ser atropelados, é perigoso”. Posicionamento A Reportagem entrou em contato com as prefeituras de Santos e São Vicente para saber quais eventuais medidas ainda pretendem adotar para cessar o problema de forma definitiva. Em nota, Santos enfatizou que o combate e investigação de delitos é de responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado. No entanto, destaca que, desde 2019, atendendo à solicitação de moradores e comerciantes do entorno, mantém no local efetivo da Guarda Civil Municipal (GCM). Também enfatiza que há videomonitoramento no Centro de Controle Operacional (CCO) do local, tanto pela GCM quanto Polícia Militar. Na área social, o entorno do túnel recebe ações de abordagem e acolhimento de pessoas em situação de rua. O serviço de abordagem social pode ser acionado pelo telefone 153. O programa Consultório de Rua, que oferta à população de rua serviços de saúde e orientação para o acesso a tratamento mental, também atua naquela região, segundo a Prefeitura. Já São Vicente, também em nota, informou que a Secretaria de Defesa e Organização Social (Sedos) realiza ações semanais no local, para coibir a ocupação irregular e demais infrações. O Município ressaltou que mantém diálogo constante com a PM, que realiza patrulhamentos no local. Ataque A porta de um vagão do VLT ficou estilhaçada após ser atacada por uma mulher do lado de fora. De acordo com uma testemunha que viajava no veículo, ao passar pelo túnel, os passageiros foram surpreendidos pela mulher, que pegou um objeto e acertou a porta, deixando um buraco no vidro. De acordo com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU), o VLT foi recolhido para manutenção. Ninguém se feriu.