A pesquisa, realizada no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes identificou a ocorrência de atividade reprodutiva da espécie dentro da área protegida, algo que até então não havia sido registrado (Divulgação / Octavio Campos Salles) Uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar/Unifesp), no Campus Baixada Santista, trouxe uma nova descoberta sobre o tubarão-mangona (Carcharias taurus). O estudo, conduzido no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes — uma das maiores áreas de proteção marinha do sudeste do Brasil, identificou a ocorrência de atividade reprodutiva da espécie dentro da área protegida, algo que até então não havia sido registrado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Embora a espécie já seja classificada como criticamente ameaçada de extinção em razão da pesca incidental e da degradação de seus habitats, a pesquisa trouxe dados inéditos que reforçam a importância do Arquipélago de Alcatrazes, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, como área essencial para a alimentação e reprodução do tubarão-mangona, segundo a Unifesp. Durante o estudo, os pesquisadores registraram fêmeas grávidas e outras com marcas de acasalamento, o que indica que a região é utilizada pela espécie em etapas fundamentais do seu ciclo reprodutivo. A pesquisa foi conduzida com o uso de estéreo-filmagens remotas subaquáticas com isca (BRUV, na sigla em inglês), uma tecnologia que permite observar o comportamento dos tubarões sem interferência direta no ambiente. Por meio dessa metodologia, foi possível registrar a presença dos tubarões-mangona em diferentes estações do ano. “Este estudo é um marco para a compreensão da ecologia do tubarão-mangona e sua relação com as áreas marinhas protegidas", afirma a bióloga Ana Clara Athayde, primeira autora do trabalho e egressa do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Ecologia Marinha e Costeira (PPGBEMC) do IMar/Unifesp, por meio de nota divulgada pela universidade. "A descoberta da atividade reprodutiva no interior do Refúgio de Alcatrazes revela não apenas o papel fundamental dessa área, mas também destaca a relevância de se estudar e proteger esses ecossistemas. A importância dessa descoberta vai além de documentar a presença de fêmeas grávidas e marcas de acasalamento. Ela coloca em evidência que as reservas marinhas desempenham um papel crucial na conservação de espécies ameaçadas de extinção, funcionando como locais seguros, longe das ameaças que a espécie enfrenta”, explica. A Unifesp também contou com a participação de mergulhadores recreativos locais, que contribuíram por meio da ciência cidadã para registrar o comportamento dos tubarões-mangona no Arquipélago de Alcatrazes. Esse envolvimento foi fundamental para enriquecer a pesquisa, fortalecendo a colaboração entre cientistas e a sociedade, o que colabora para a eficácia das estratégias de conservação marinha. “A descoberta destaca o papel das áreas marinhas protegidas para a restauração das populações de predadores fundamentais à saúde dos oceanos e a sustentabilidade de recursos pesqueiros essenciais para a segurança alimentar e geração de emprego e renda de comunidades costeiras”, reforça o professor e pesquisador do IMar/Unifesp Fabio Motta, por meio de nota. O estudo teve apoio da Petrobras e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), dentro do projeto Mar de Alcatrazes e do programa Biota, respectivamente.