O tsunami modificou a geografia de Praia Grande e São Vicente, no litoral de São Paulo (Reprodução e Arquivo Pessoal/Cláudio Sterque) Existem relatos históricos de que São Vicente, a primeira vila do litoral de São Paulo, foi atingida por um ‘tsunami’ em 1541. No entanto, ela não foi a única cidade da Baixada Santista afetada por essa grande onda, Praia Grande também sentiu os efeitos da onda gigante. Mas, afinal, o que poderia ter causado isso? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O historiador Cláudio Sterque diz que há a teoria de que a queda de um meteoro no mar de Praia Grande teria provocado o tsunami que atingiu as duas cidades da Baixada Santista. Mas, de acordo com o especialista, não há informações ou registros de qual região de Praia Grande foi atingida pelo corpo celeste. Segundo Sterque, o que é mais aceito pelos estudiosos é que houve um deslocamento de camadas sedimentares no leito do oceano. A força da onda gigante, gerada por isso, teria sido suficiente para alterar a geografia de São Vicente e Praia Grande. “Esse deslocamento provocou uma grande ressaca e posteriormente uma grande onda”, acrescenta. Mudança na geografia de Praia Grande Em 1541, o bairro Canto do Forte, junto com o Xixová, formavam uma ilha no território de Praia Grande, e um grande rio passava pela área que hoje corresponde ao Boqueirão, explica o historiador. “Rio esse que se ligava ao Mar Pequeno. Assim era a geografia de Praia Grande antes do final de 1541”. O tsunami modificou essa composição. Destruição em São Vicente O reflexo da onda gigante foi narrado por Frei Gaspar da Madre de Deus em sua obra Memórias para História da Capitania de São Vicente, onde ele descreve como o mar atingiu a vila. A estrutura local sofreu danos significativos, e a reconstrução não ocorreu de forma imediata. Há registros e teorias de que o porto, considerado uma das principais fontes econômicas da região, teria sido deslocado para o norte da ilha em razão do tsunami. Por outro lado, alguns historiadores defendem que a mudança se deu pelo fato de a vila abrigar uma população irregular, formada por traficantes de escravizados e indígenas, o que teria motivado a busca por uma área mais apropriada para a instalação do porto. Além disso, uma antiga lenda relata que uma amurada foi erguida com a finalidade de proteger a região de piratas e invasores. No entanto, a estrutura teria sido destruída pela força da onda gigante. O tsunami também teria arrastado a Igreja Matriz e o Pelourinho, em São Vicente. O que é um tsunami? O tsunami pode se formar quando algum fenômeno muito intenso acontece no mar, o que ocasiona um tipo de onda bem longa. A principal causa de tsunamis são abalos sísmicos, como terremotos no fundo marinho ou erupções de um vulcão submarino. Por essa razão, é incomum o acontecimento do fenômeno no Brasil, pois é raro haver terremotos de alta intensidade no Atlântico Sul. É o que esclarece o professor e coordenador do curso de Oceanografia da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), Wandrey de Bortoli Watanabe. “Outra possível (causa) de tsunamis causa seria o choque de meteoritos ou deslizamentos de terra massivos em baías, também eventos raros”, acrescenta Watanabe. Um tipo de onda gigante que pode acontecer no Brasil é o meteotsunami. “É uma onda similar, porém menos intensa do que o tsunami de atividade sísmica. Ainda assim, tem potencial destrutivo, por conta de alagamentos”, arremata o coordenador do curso de Oceanografia da Unifesp.