Quase meio ano após o leilão que definiu a concessão das travessias hídricas do litoral de São Paulo, o contrato de parceria público-privada (PPP) ainda não foi assinado. Apesar da demora, o Estado mantém a previsão de início da operação da Acqua Vias SP, vencedora da disputa, neste semestre. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O consórcio Acqua Vias SP venceu o leilão em 13 de novembro passado. Entre quatro concorrentes, apresentou o maior desconto para contrapres-tação pública anual: 12,60% sobre os R\$ 461,18 milhões que o Estado previa pagar. Com investimento estimado em R\$ 2,5 bilhões, a PPP prevê a compra de mais de 40 embarcações — a maioria, elétricas — e a modernização de 20 terminais, criação de centros operacionais, oficinas, cabines automáticas de cobrança e sistemas de automação e segurança em 20 anos de concessão. A Secretaria Estadual de Parcerias em Investimentos informou que o processo está “dentro do cronograma”. Após a homologação do resultado, em janeiro, o Governo aguarda a conclusão de etapas obrigatórias pelo consórcio para a assinatura do contrato. A Reportagem procurou o consórcio e as empresas que o integram — BK Consultoria e Serviços, Internacional Marítima, Rodonave Navegações, Zetta Infraestrutura e Participações e Innovia Soluções Inteligentes —, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. Queixas e esperança Usuários das travessias entre Santos e Guarujá relatam insatisfação com o serviço. O professor de Língua Portuguesa Alexandre Monteiro dos Santos, de 51 anos, de Guarujá, viaja diariamente para Santos. “O tempo de espera é grande. De manhã, chega a 50 minutos ou mais. Há um problema diferente a cada dia: maré baixa, travessia lenta, passagem de navio. Vejo poucas balsas nesse período. Além disso, falta organização nas filas e há morosidade no pedágio.” Ismael Manuel da Silva (à esquerda), Melissa Oliveira da Silva (ao centro) e Sueli de Fátima Ferreira (à direita) (Alexsander Ferraz/AT) O contador Ismael Manuel da Silva, de 63 anos, do Distrito de Vicente de Carvalho, diz evitar a travessia de veículos e optar pela de passageiros. “Aqui é mais rápido, então, deixo o carro. Na Ponta da Praia é muito mais demorado. O serviço é bom, mas, se perder uma barca, são 20 minutos de espera. Espero que melhore com essa PPP.” A babá Melissa Oliveira da Silva, de 46 anos, também reclama. “O tempo de espera é longo pelo fluxo de pessoas. Se houvesse menos intervalo, melhoraria. Houve avanço com barcas novas, mas ainda é muito quente (viajar nelas). Para quem usa todo dia, é complicado.” A diarista Sueli de Fátima Ferreira, de 64 anos, que utiliza o sistema semanalmente, espera mudanças. “As barcas estão meio velhas, precisam melhorar. Dá um pouco de medo, mas acredito que o consórcio vai trazer embarcações melhores e agilizar o serviço.” A Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística não se manifestou sobre as reclamações. Abrangência A concessão abrange 14 travessias no Litoral, na Região Metropolitana de São Paulo e no Vale do Paraíba, que transportam cerca de 11 milhões de passageiros e 10 milhões de veículos por ano. No Litoral, estão incluídas linhas como: São Sebastião–Ilhabela Santos–Vicente de Carvalho Santos–Guarujá Bertioga–Guarujá Cananeia–Continente Cananeia–Ilha Comprida Cananeia–Ariri Iguape–Jureia