No Hemonúcleo do Hospital Guilherme Álvaro, interessados em doar células-tronco são cadastrados (Vanessa Rodrigues/AT) Talvez você seja bilionário e não se tenha dado conta disso: no organismo de uma pessoa saudável, há bilhões de células-tronco. E basta uma parcela deles para salvar a vida de alguém. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A doação de células-tronco para transplante de medula óssea é o tratamento que pode dar sobrevida a um paciente com leucemia aguda, principalmente. Mas, também, com outras doenças no sangue. A medula é um tecido de consistência entre líquida e gelatinosa que fica dentro dos ossos. A hematologista responsável pelo Hemonúcleo do Hospital Guilherme Álvaro, Elaine Mancilha, explica que a medula é responsável pela produção dos componentes do sangue: hemácias, leucócitos e plaquetas. A matéria-prima desses componentes são as células-tronco. Todos nascem com um número delimitado, ainda que bilionário, dessas células. Mas há doenças que as prejudicam. “Quando a leucemia é mais grave, ela afeta essas células iniciais, e elas ficam com defeito, literalmente, e param de produzir o sangue adequadamente”, explica Elaine. A produção defeituosa de hemácias, leucócitos e plaquetas causa, respectivamente, anemia, baixa imunidade — o que implica infecções, pois o sistema de defesa está comprometido — e sangramentos espontâneos, com risco de hemorragia. São sintomas comuns em pacientes com leucemia aguda. Assim, o transplante de medula pode salvar vidas. Dos doadores se faz coleta de dez mililitros de sangue e a amostra é enviada ao Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) (Vanessa Rodrigues/AT) Vida germinando O transplante é a fase final do tratamento para leucemia. Antes dele, o paciente é submetido a quimioterapia para matar as células-tronco que, com a doença, viraram cancerígenas. “Como nascemos com todas as células que vamos ter na vida, por mais que se faça quimioterapia, não há como eliminar totalmente (o câncer)”, esclarece Elaine. As células-tronco restantes no paciente são necessárias para produzir o sangue, mas, se nada for feito, os componentes sanguíneos continuarão espalhando a doença. “Ninguém consegue fazer quimioterapia o resto da vida”, afirma a médica. É aqui que o transplante se torna uma esperança, com a doação de células-tronco saudáveis. “Como ela é uma célula que tem alto poder de proliferar, ela se encaixa na medula óssea do receptor e germina como um jardim. E assim, se começa a produzir sangue na outra pessoa”, diz Elaine. As células recebidas passam a produzir o sangue com as características do doador, saudável. As células de defesa começam a atacar a doença e algumas partes saudáveis do corpo do paciente, com rejeição prevista no tratamento. Por isso, o doador e o paciente devem ser compatíveis, para redução de efeitos colaterais. “É uma terapia de longo prazo. O acompanhamento é de pelo menos dois anos.” Opções Geralmente, em uma família, irmãos não idênticos filhos dos mesmos pais são a melhor opção. Ter um parente com esse grau de compatibilidade encurta o caminho, pois será necessário entrar na fila para buscar um doador. Como isso nem sempre ocorre, há o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), ligado a um sistema internacional. A busca por um doador compatível começa no Brasil e, se necessário, no exterior. Daí a importância de que o banco de possíveis doadores esteja cheio. Hemonúcleo O Hospital Guilherme Álvaro, onde fica o Hemonúcleo, está localizado na Rua Oswaldo Cruz, 197, no Boqueirão, em Santos. Atende de segunda-feira a sábado (exceto hoje, Carnaval), das 7h30 às 13h. Coletam-se dez mililitros (ml) de sangue do doador, enviados ao Redome. A amostra passará por testes de triagem e genéticos para verificar se a pessoa pode se tornar doadora. Os dados genéticos são armazenados em um banco internacional, possibilitando que doadores brasileiros ajudem pacientes estrangeiros e vice-versa.