[[legacy_image_286812]] O trânsito da Baixada Santista está mais letal. Números do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga SP) indicam que o primeiro semestre deste ano é o mais violento desde 2020, sendo que o último mês de junho foi o mais letal em cinco anos e meio. Além disso, a maioria dos óbitos é de homens entre 18 e 29 anos, majoritariamente em motocicletas e na condição de condutores dos veículos acidentados. Entre janeiro e junho deste ano, foram verificadas 132 mortes no trânsito da região. O número demonstra uma tendência de alta, pois, no ano passado, foram 107 - após queda entre 2020 e 2021, auge da pandemia de covid-19, quando foram verificados 120 óbitos e 97 mortes, respectivamente. Em 2018, foram 145 óbitos, o pior semestre da série verificada por A Tribuna, e em 2019, houve 139 vítimas fatais. Observando apenas os seis primeiros meses deste ano, junho registrou o ápice de número de mortes, com 30. Nos meses anteriores, os números verificados foram de 22 em janeiro, 13 em fevereiro, 20 em março, 25 em abril e 22 em maio. Jovens, motocicletas e homensNa análise entre 2018 e 2023 dos dados do Infosiga SP, as faixas etárias com maior número de mortes são as entre 18 e 24 anos (158) e 25 a 29 anos (146). Outras faixas acima de 100 óbitos são entre 30 e 34 anos (109), 35 e 39 anos (102) e 50 a 54 anos (104). Já o meio de locomoção que lidera o número das ocorrências com óbitos é a motocicleta, com 502, enquanto os pedestres respondem por 404 vítimas fatais. Bicicletas estão ligadas a 238 mortes, enquanto outros 151 perderam a vida em acidentes com automóveis. Os condutores respondem por 57,83% dos óbitos, enquanto 29,28% das vítimas fatais são pedestres. Os passageiros respondem por 8,7%. Na divisão por gênero, os homens representam a maioria dos óbitos, com 82,68%. Já as mulheres respondem por 17,1% das mortes no período entre 2018 e 2023. Quanto ao tipo de acidente com vítimas fatais, a liderança é a colisão (contra objeto em movimento), com 534 mortes, seguida do atropelamento, com 436, e do choque (contra objeto fixo), com 193. Por cidadeOs números do Infosiga SP também mostram o primeiro semestre deste ano quanto às mortes em cada cidade da Baixada Santista. Cubatão e Praia Grande lideram com 20 óbitos cada, enquanto Santos soma 19. São Vicente tem 16, mesmo número de Bertioga. Já Itanhaém contabiliza 15 óbitos, enquanto Guarujá tem 11. Peruíbe soma oito mortes e Mongaguá finaliza a lista com sete. Mudanças em plano de mobilidade serão debatidasOs dados do Infosiga SP sobre mortalidade no trânsito na região podem provocar mudanças no Plano Regional de Mobilidade Sustentável da Baixada Santista (PRMSL-BS). Quem afirma é o presidente da Câmara Temática de Mobilidade e Logística do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb), Leandro Avelino. Segundo ele, os números trazidos por A Tribuna devem pautar o próximo encontro do órgão, que antecederá a próxima reunião da entidade, marcada para 22 de agosto. “Vamos usar esses números para fazer uma atualização do Plano de Mobilidade e ver, dentro do que já foi estabelecido, como colocar em andamento a criação do observatório do trânsito”, afirma Avelino. Segundo ele, a expectativa é de que o observatório se torne uma instância importante de manifestação da sociedade civil organizada. “O pleno do Condesb pediu que estudássemos uma possibilidade de formação, e vamos agora para uma definição. No segundo semestre, com certeza, devemos estimular ações que vão tentar fazer com que a gente possa melhorar esses números”, resume. O presidente da Câmara Temática avalia que o que une as características dos óbitos (tipo de modal envolvido e de acidentes, idades das vítimas etc.) é a necessidade de maior investimento na educação para o trânsito. “O maior ensinamento que a gente, infelizmente, não tem é um povo adequadamente educado no trânsito. Temos muito para avançar. No Plano de Mobilidade, foram consignadas ações voltadas à educação do trânsito e, agora, a gente precisa viabilizar. As prefeituras se organizarem nessa questão. E captar recurso, porque a gente sabe que tem bastante recurso para esse fim”. A formação dos novos condutores, para Avelino, também merece atenção. “O problema é que talvez a gente esteja pecando em algum momento. Falta essa percepção, a cortesia no trânsito, no parar para o pedestre”. Perfil de vítimas serve de alerta para a sociedadeAdvogado, coronel da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo, consultor em trânsito e escritor, Arnaldo Luis Theodosio Pazetti vê na predominância de mortes entre jovens de 18 a 29 anos como a combinação do ímpeto da juventude com a inexperiência de quem não domina a máquina perfeitamente. “Esse número de óbitos entre jovens é uma constante no País em qualquer período analisado. São os jovens que mais morrem no trânsito. A maioria está na condição de motorista, possivelmente um dos fatores que colabora para isso é essa sensação de imortalidade que os jovens têm. Acabam arriscando mais ao volante, muitos são recém-habilitados”, pontua. Ele entende que uma das causas para o aumento nos óbitos no trânsito na Baixada Santista pode estar atrelado ao crescimento no movimento provocado pela retomada do turismo local, de curtas distâncias e feito de carro. “Houve represamento do turismo durante a fase aguda da pandemia. É necessário avaliar esses óbitos para ver se não são de turistas, nos finais de semana. Temos que ver o perfil desse condutor. Pode ser que, olhando com uma lupa, seja possível até perceber uma redução de mortes de moradores da região no trânsito”, explica.