Allan e Juliana (à esq.), com alunas: escola tem 200 frequentadores ativos com idades entre 12 e 88 anos (Alexsander Ferraz/AT) Salvar vidas pela dança. É o que se propõe um casal de dançarinos, professores de dança e sócios que há quase dez anos mantém uma escola aberta. Allan Pires Tavares, de 30 anos, e Juliana Pires Tavares, de 29, usaram as primeiras letras de seus nomes para formar a AJ Danças e descobriram, com seus alunos, que a prática pode servir de cura emocional. “No início, para a gente, foi só um hobby. Hoje, conseguimos enxergar o quanto isso afeta a vida das pessoas e também a nossa. Apesar de ser nossa profissão, para nós também é algo que revigora, é transformador e nos impede de chegar a um estado de estresse muito alto”, diz Allan. A escola é focada em dança de salão (em pares), com ritmos como zouk, samba, gafieira, forró e sertanejo. Também oferece modalidades como dança contemporânea, dança do ventre, hip hop e teatro. E os dois, que estão juntos desde a adolescência, dançam desde crianças, ambos por influência familiar: ela começou aos 4 anos, e ele, aos 8. Quando começaram a dançar, a atividade era mais comum entre adultos e idosos. Decidiram lecionar por causa dos elogios que recebiam. A decisão de ministrar aulas começou após os elogios que ambos recebiam pela beleza de sua dança. “Por que não ensinar aquilo que a gente fazia com tanta naturalidade e prazer?”, reflete Juliana. Eles ensinaram em residências, salas alugadas e escolas em Santos, São Vicente e Praia Grande. Hoje, estão na Rua Frei Gaspar, 1.110, no Centro vicentino. “A grande demanda de alunos nos impulsionou. Meu pai, comerciante em São Vicente, conseguiu para a gente a locação de uma sala de um amigo e o empréstimo dos materiais essenciais, como ventiladores e espelhos”, conta Allan. “Logo no primeiro mês de inauguração, conseguimos devolver todos os recursos investidos.” O BEM DA DANÇA A dança de salão é uma aliada dos relacionamentos. “Para as pessoas que são carentes de socialização, a dança de salão transforma. Ela cria aproximações e vínculos. Existem muitos casamentos que aconteceram dentro do universo da dança, e o nosso é um exemplo disso”, menciona Allan. Juliana observa que a dança impulsiona a autoestima. Muitos alunos chegam tímidos, mas “começam a se preocupar mais com a vestimenta e como vão aos bailes, sempre bem apresentados”. Com uma média de 200 alunos ativos, entre mensalistas e individuais, a escola tem alunos de 12 a 88 anos. A dona de casa Maria Leonardo Pereira, de 55 anos, é aluna desde 2001. Superou a tristeza da viuvez e se sente mais saudável. “Sinto que posso enfrentar os desafios e superá-los.”