[[legacy_image_28456]] A engenheira civil pós-graduada em Informática Raquel Auxiliadora Chini assumiu como diretora executiva da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem) em 15 de maio e está empolgada com a possibilidade de tirar do papel projetos importantes, como o Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Baixada Santista e o Plano Regional de Mobilidade e Logística – este custeado com recursos europeus. Raquel iniciou sua carreira no Poder Público em 1993, quando foi convidada pelo prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB), para assumir a Secretaria Municipal de Obras até o final de 1996. Ela também teve passagens pelas pastas de Gestão Patrimonial (2005- 2008), Serviços Urbanos (2009-2010), Urbanismo e Meio Ambiente (2011- 2012) e Transportes (2013- 2019), assim como na autarquia Progresso e Desenvolvimento de Praia Grande (Prodepg – 1997-1999), onde atuou como diretora técnica e superintendente. A nova diretora executiva destacou o trabalho da autarquia e rebateu as críticas feitas à Agem por políticos. Como surgiu o convite para assumir a Agem? Foi uma escolha técnica, uma surpresa para mim. Isso nunca passou pela minha cabeça. Gostaram da minha experiência em diversas secretarias da Prefeitura de Praia Grande. Foi um diferencial e uma oportunidade que poucas pessoas tiveram, de trabalhar em diferentes segmentos do serviço público, sob o comando do Mourão e seus sucessores. Foi difícil o prefeito Alberto Mourão liberá-la para assumir esse novo desafio? Não. Trabalhamos juntos há muitos anos, desde 1993, quando ele comandou Praia Grande pela primeira vez. Antes disso, já éramos amigos. Ele encarou essa oportunidade como uma forma da gente fazer aquilo que pensamos do que é uma região metropolitana, de conseguir a descentralização de alguns serviços e trazê-los mais próximos à população. Nas entrevistas, o prefeito sempre demonstrou preocupação em pensar as ações de forma regional e de maneira estratégica. Não tenho a pretensão de ser uma cópia dele, mas eu me espelho nele. O Mourão é um político diferenciado pela sua velocidade de raciocínio e por planejar ações de forma estratégica. Ele sempre cobrou muito dos secretários propostas e projetos para conseguirmos integrar as cidades vizinhas. Sempre impulsionou a equipe a participar de discussões regionais para fazer essa conexão com Praia Grande. Já foi possível entender a dinâmica da Agem? Ainda estou me ambientando. A Agem é uma autarquia, uma miniprefeitura, que tem parte administrativa, financeira e sistemas de tudo o que você possa imaginar. Há uma burocracia própria de uma miniprefeitura. Ainda estou tomando pé dos projetos em andamento para que a gente possa levar para a primeira reunião do Condesb (Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista, no dia 26) e estou conversando com os prefeitos. E quais os pedidos apresentados? A Agem é demandada pelo Condesb. Os prefeitos precisam passar as demandas para que a gente siga os projetos de interesse dos municípios. Estou pedindo a eles que saiam dessa próxima reunião com uma pauta enxuta das prioridades, para que a gente pegue os projetos em desenvolvimento ou já desenvolvidos e eles saiam do papel. As prefeituras precisam participar efetivamente desse processo. Não é só nomear alguém para vir cumprir uma agenda. Não é castigo. É preciso entender que a Agem é uma casa de discussão e daqui sairão diretrizes e propostas para prefeitos e secretários deliberarem o que é melhor para a região. Caso contrário, estaremos enxugando gelo. O Condesb tem muitas câmaras temáticas, mas algumas delas não realizam reuniões há mais de dois anos. Como reverter isso? Quem muda isso é o Condesb. Por esse motivo, eu quero uma pauta enxuta. O que está em andamento a gente precisa acabar. E não é apenas acabar no papel, mas dar o início à próxima etapa, como o Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Baixada Santista. Se a gente conseguir implantá-lo, será uma grande vitória e vai impactar na qualidade de vida das próximas gerações. O que falta para essa proposta sair do papel? Tivemos uma reunião do Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista, no final de maio, e apresentamos o plano. Solicitamos a liberação de recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) para fazer a implantação e o gerenciamento dele. Vamos definir um plano de trabalho para submetê-lo à análise do Condesb e precisamos avaliar as alternativas apresentadas. Não necessariamente a mesma alternativa é boa para toda a região, que foi dividida em três áreas. A estrutura da Agem é adequada em termos de recursos humanos? Ainda não tenho condições de te responder isso, porque depende do que o Condesb vai definir como prioridades e saber como vamos trabalhar. Se a gente vai seguir em uma linha que precisamos ter algumas terceirizações de serviços, não precisaremos de uma equipe técnica muito grande. Temos um quadro reduzido de funcionários. Estamos negociando com outros órgãos para nos ceder técnicos com experiência na Agem. Costumo trabalhar com equipe enxuta. Para você saber orientar, é preciso participar. Assim fica mais fácil saber se estamos no caminho certo e para não perder os detalhes. Em que pé está o Plano Regional de Mobilidade e Logística, iniciativa selecionada pelo Programa Euroclima+ e que será financiada com recursos europeus? Estamos aguardando o envio do termo de referência para o Governo do Estado fazer a análise jurídica. A princípio, eles repassariam 500 mil euros (cerca de R\$ 2,5 milhões) para que a Agem contratasse uma consultoria. Esse dinheiro parece muito, mas não é. Uma pesquisa origem-destino é caríssima. Por conta da mudança de governo, ficou decidido no ano passado que eles farão a pesquisa. O projeto foi muito elogiado por conseguirmos trabalhar essa governança dos nove municípios para buscar soluções metropolitanas. A nossa expectativa é que esses trabalhos comecem ainda este ano. Há previsão de quando o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Baixada Santista será transformado em lei, conforme estipulado pelo Estatuto da Metrópole? A minuta da proposta está sendo analisada pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional. O nosso projeto foi o primeiro do Estado a ficar pronto e, se tiver algum ajuste a ser feito, isso ocorrerá na Assembleia Legislativa. A gente precisa mudar essa cultura de revisar as coisas a cada cinco anos e ver o que mudou. Precisamos fazer isso no dia a dia, consolidando o que é bom e alterando o que é ruim. Precisamos ter esse filtro para fazer a coisa bem feita. Como a Agem pode ajudar os prefeitos a deixarem as vaidades de lado para pensar em medidas e ações de caráter metropolitano? Acredito que não é ajudar. Tenho sentido essa missão como gestora desta autarquia. As vaidades precisam ser deixadas de lado. A classe política da região, de uma forma geral, critica a atuação da Agem. Uma das falas mais contundentes nesse sentido foi feita em 2014, quando o então deputado estadual eleito Paulo Corrêa Júnior (Patri) disse que a autarquia é uma casa de chá. Ele reafirmou este ano essa impressão. Como a senhora enxerga esses posicionamentos? Acho essas críticas injustas, pois conheço o trabalho da Agem e participo das discussões feitas aqui. Então, eu faço parte dessa casa de chá. Todo mundo faz parte dela de alguma forma, inclusive vereadores e deputados. O trabalho realizado pela Agem com a estrutura existente é de muita qualidade. Acho que o deputado não conhece o trabalho da Agem. Se conhecerem, ele e os demais políticos vão mudar o pensamento. O trabalho da Agem é técnico. A equipe técnica é muito focada. Acredito que a colocação do deputado é injusta. Espero poder mostrar que a visão dele está equivocada. Até porque eu nem gosto de chá. Prefiro um cafezinho (risos).