EDIÇÃO DIGITAL

Sábado

15 de Agosto de 2020

Trabalho conjunto desponta como solução para o turismo na Baixada Santista

Turismo na Baixada Santista vive dilema sobre ações dos nove municípios; busca é por entendimento e diálogo entre os envolvidos

A Baixada Santista possui tudo o que um polo turístico deseja ter: belezas naturais, lugares históricos, atrações para todos os gostos, uma rede hoteleira de qualidade e uma boa imagem junto aos visitantes. No entanto, a impressão geral é de que, separados, os municípios não conseguem “vender” esse potencial todo a quem poderia conhecer a região. Pensar de forma coletiva, por isso, talvez fosse uma solução. Ainda há, no entanto, visões divergentes sobre o tema. 

“Se fosse regional e juntasse tudo, aí pode ser que sim. Se houvesse um nome que contemplasse a região toda, esse problema seria minimizado bastante. Não há motivo para colocar o nome de uma cidade em destaque em relação às outras. Esse foi o problema principal, que acabou gerando isso (cisão). Mas nunca é tarde para mudar”, afirma Ricardo Roman, da ABIH-SP, sobre o antigo Santos e Região Convention & Visitors Bureau, hoje restrito a Santos.

Toni Sando, do SPCVB, vai numa linha semelhante, pregando o entendimento. “Cada vez mais, existe a importância do associativismo. Por meio das associações é que temos levado ao Governo pleitos para que possa entender o que se passa em cada setor econômico”.

Eduardo Sanovicz também sugere uma maior integração para uma política comum sobre o turismo. “Não há como uma cidade, isoladamente, ou uma prefeitura isoladamente, construir um programa de promoção e marketing”, crê. 

Exemplo de Barcelona

O presidente da ABEAR cita um modelo implementado em Barcelona, na Espanha, que pode ser implementado na gestão do turismo regional: a junção das esferas pública e privada, com um interesse comum. 

“A Câmara de Indústria e Comércio fechou seu departamento de Turismo, e a prefeitura fechou a secretaria de Turismo. As duas, juntas, criaram uma nova organização chamada Turismo de Barcelona, em parceria com fundos compartilhados, privados e públicos, gestão compartilhada. O Barcelona Convention Bureau foi incorporado a essa organização. Essa organização, mesmo com mais de 15 anos, foi a grande referência técnica no planeta sobre como você constrói parceiras púbico-privadas para o turismo”. 

Ele acredita que esse modelo de Barcelona entrar na discussão já neste ano, em meio ao debate eleitoral nos municípios.

“Creio que, hoje, estamos amadurecidos, tanto de profissionais à frente dos empreendimentos privados, como à frente do setor público. Num ano em que vamos ter uma campanha eleitoral, seria bom debater este tema e construir, tendo como objetivo 2021, um programa semelhante a esse que envolva o conjunto da nossa região”. 

Diálogo possível

Presidente do Bureau santista, Leonardo Carvalho argumenta que a união entre os municípios teve tempo para ser concretizada, por meio do Bureau, o que, segundo ele, não aconteceu. 

“Ele sempre foi regional. Sem nenhuma vaidade. Por uma demanda regional, se transformou em Costa da Mata Atlântica. Então, essa questão caiu por água abaixo. Qual cidade veio e buscou aproximação?”, questiona. “Santos foi a única cidade cuja Prefeitura assinou convênio conosco e nos deu suporte financeiro para poder conduzir esse trabalho”. No entanto, ele não fecha as portas para um diálogo metropolitano. “Estamos abertos a conversar uma regionalização, sim”. 

Tudo sobre: