[[legacy_image_306087]] Ricardo da Conceição Aguiar Ramos, de 47 anos, alega que foi vítima de fake news após ter sua imagem divulgada em grupos de WhatsApp com a informação de que ele seria um golpista. O homem agora abriu um processo por danos morais contra moradores e o condomínio, e busca se recuperar do trauma causado. O trabalhador é leiturista e entregador motorizado de uma empresa prestadora de serviços para a concessionária de energia CPFL, e cumpria uma ordem de serviço no Edifício Segóvia, no Bairro Itararé, em São Vicente. Chegando no local, Ramos se apresentou como de costume, mas não conseguiu entrar no prédio. “Me identifiquei para a portaria eletrônica dizendo que iria ver o marcador de luz para fazer a leitura de um apartamento. Fiquei cerca de quatro minutos esperando uma resposta e não tive retorno. Tirei uma foto da entrada do prédio para registrar que estive lá, e fui embora”, comentou. Ainda segundo Ramos, esse tipo de serviço não é realizado dentro do apartamento do morador, e sim na parte de baixo do prédio, junto aos marcadores. Na semana seguinte o trabalhador recebeu a ligação de um amigo, dizendo que havia uma foto dele sendo divulgada em grupos de WhatsApp acusando-o de ser um golpista. “Tinha uma foto minha, que foi recuperada pelas câmeras de segurança da portaria virtual, e um áudio de uma outra moradora dizendo que eu não possuía nenhuma visita agendada da CPFL. Acontece que eu não sou da CPFL, eu trabalho para a CPFL, sou um prestador de serviços”. O advogado de Ramos, Adriano Silva, orientou o trabalhador a fazer um Boletim de Ocorrência e avisar à empresa sobre o ocorrido. “Passado um tempo para conseguirmos colher as provas necessárias, abrimos um processo por danos morais contra a moradora que supostamente receberia a visita, a outra moradora que espalhou a notícia falsa e divulgou o áudio, e o condomínio, que contratou a empresa de portaria eletrônica”, destacou o advogado. Ainda segundo o advogado, o caso é sério, pois Ramos poderia ter sido vítima de linchamento ou algum tipo de violência a qualquer momento, tendo em vista que ele atua diariamente na região, e todos os prédios vizinhos receberam a falsa denúncia. Após toda a confusão, Ramos precisou passar por atendimento psicológico e se afastou das atividades profissionais por sete dias. DefesaEm nota, a CPFL Piratininga diz que não comenta processos judiciais em andamento. “A empresa sempre cumpre as determinações judiciais e participa de todas as iniciativas de conciliação nos tribunais, priorizando sempre soluções amigáveis para os litígios”. Também em nota, a empresa de portaria remota, por meio de seus advogados, informa que tomou ciência da ação judicial em questão na data de 18/10/2023 e, neste momento, está conduzindo uma investigação rigorosa para apurar a veracidade de todos os fatos ocorridos. “Após essa investigação, manifestaremos nossa posição nos autos, dado o respeito que temos ao devido processo legal. Além disso, é crucial destacar que estamos cooperando plenamente com todas as partes envolvidas, seguindo estritamente os procedimentos legais necessários para a resolução dessa questão”. A empresa também ressaltou que todos os colaboradores recebem treinamento apropriado, especialmente no que se refere ao respeito às diversidades, à dignidade humana, às garantias legais, à liberdade de pensamento, à ideologia política, bem como à diversidade racial e étnica. Por fim, o advogado que representa o condomínio e seus moradores comentou que Ramos alegou falsamente que foi divulgada imagem dele em um grupo de moradores sobre suposta ocorrência de fraude, pois sequer existe qualquer meio de prova quanto a tal alegação. “O processo é verdadeira aventura jurídica até porque não existe registro ou imagem do alegado nem tampouco ordem de serviço para leitura que já ocorre mensalmente no edifício.A empresa não o enviou ao local e não existe qualquer ordem de serviço da CPFL para aquele edifício. Como não havia qualquer referência ou nota de serviço, obviamente a portaria eletrônica não autorizou a entrada”.