Árvores no chão, telhados arrancados, postes derrubados e rajadas que ultrapassam os 100 km/h. Diante de imagens de destruição provocadas pelo vento, uma dúvida costuma aparecer: foi tornado, ciclone ou furacão? -Video YouTube tornado (1.523484) Quer saber todas as curiosidades da nossa região? Siga o nosso canal do YouTube! Embora os três fenômenos estejam relacionados à movimentação intensa do ar, eles não são sinônimos. A principal diferença está na forma como surgem, no tamanho da área atingida e no tempo de duração. A maneira mais simples de entender é pensar na escala: um tornado é pequeno e extremamente concentrado; um ciclone é um gigantesco sistema atmosférico; e um furacão é um tipo específico e intenso de ciclone tropical. Tornado: pequeno no tamanho, gigante na força O tornado é uma coluna de ar em intensa rotação que se estende de uma nuvem de tempestade até o solo. Muitos estão associados a tempestades severas e supercélulas, que possuem uma corrente de ar ascendente e giratória em seu interior. Quando a rotação se intensifica, pode surgir um funil a partir da base da nuvem. Quando essa circulação alcança o solo, caracteriza-se o tornado. E é justamente aí que está uma de suas características mais impressionantes: o fenômeno pode ser muito estreito quando comparado a um ciclone. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), tornados normalmente têm dimensões da ordem de centenas de metros e costumam durar minutos. Isso ajuda a explicar cenas aparentemente contraditórias após a passagem de um tornado: uma construção pode ficar destruída enquanto outra, localizada relativamente perto, sofre danos bem menores. Ciclone: um sistema que pode ter centenas de quilômetros Aqui está uma confusão bastante comum: ciclone não é sinônimo de furacão. Ciclone é um termo mais amplo. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), trata-se de uma área fechada de baixa pressão atmosférica, com circulação de ventos ao redor de seu centro. No Hemisfério Sul, essa circulação ocorre no sentido horário. Enquanto um tornado pode medir centenas de metros, um ciclone pode alcançar centenas ou até milhares de quilômetros. Em vez de atingir apenas uma faixa estreita, portanto, seus efeitos podem alcançar diferentes estados e regiões. No Brasil, é comum ouvirmos falar dos ciclones extratropicais. Eles se formam principalmente em latitudes médias e estão associados ao encontro e ao contraste entre massas de ar com características diferentes, como ar quente e frio. São fenômenos comuns na região do Atlântico Sul e frequentemente estão relacionados às frentes frias. Um ciclone extratropical pode permanecer atuando durante dias e provocar ventos fortes, chuva, queda de temperatura, ondas elevadas e ressaca mesmo a centenas de quilômetros de seu centro. Ou seja: um ciclone não é um tornado enorme. São fenômenos meteorológicos diferentes. E onde entra o furacão? Aqui está a resposta que costuma surpreender: todo furacão é um ciclone, mas nem todo ciclone é um furacão. Furacão é uma denominação utilizada para um ciclone tropical intenso em determinadas regiões do planeta. Os ciclones tropicais nascem sobre águas oceânicas quentes e retiram grande parte de sua energia do calor e da umidade do mar. São sistemas organizados de tempestades que giram ao redor de um centro de baixa pressão. Quando os ventos máximos sustentados atingem aproximadamente 119 km/h, o sistema passa a receber determinadas classificações regionais. No Atlântico Norte e no Pacífico Nordeste, ele é chamado de furacão. No Pacífico Noroeste, recebe o nome de tufão. Em outras bacias oceânicas, utiliza-se a denominação ciclone tropical, com classificações específicas adotadas pelos serviços meteorológicos de cada região. Portanto, furacão e tufão não são fenômenos meteorológicos fundamentalmente diferentes: o nome muda principalmente de acordo com a região onde o ciclone tropical ocorre. Afinal, como não confundir mais? Guarde três frases: Tornado: é pequeno, localizado, geralmente dura minutos e pode concentrar ventos extremamente violentos. Ciclone: é um grande sistema de baixa pressão que pode alcançar centenas ou milhares de quilômetros e permanecer ativo por dias. Furacão: é um ciclone tropical intenso — e recebe esse nome em determinadas regiões do planeta. Assim, quando uma ventania causa estragos, a velocidade das rajadas não basta para dizer qual fenômeno ocorreu. É preciso analisar a estrutura da atmosfera, a circulação dos ventos, imagens de radar e satélite e outras informações meteorológicas. Fontes consultadas: Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), NOAA, Organização Meteorológica Mundial (OMM/WMO) e IPCC.