[[legacy_image_273945]] O infarto agudo do miocárdio é a maior causa de morte no país, segundo dados do Ministério da Saúde. Estima-se que ocorram de 300 mil a 400 mil casos por ano, sendo que a cada 10 casos, 4 evoluem para morte súbita. E a doença que antes acometia mais pessoas idosas, hoje vem aumentando em pessoas mais jovens. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Existe um relatório do Ministério da Saúde que mostra que vem aumentando em torno de 13% o número de episódios de infarto entre os jovens de até 30 anos na última década. Eles relacionam esse tipo de infarto, particularmente, ao tipo de vida que a pessoa leva”, conta Carlos Vinetou Ayres, médico cardiologista e professor da Unimes, em Santos. Segundo o especialista, o infarto é comum em homens a partir de 55 anos e em mulheres entre 60 e 65 anos. No entanto, a rotina estressante, a alimentação baseada em carboidrato e conservantes, a falta de atividade física tem feito com que cada vez mais jovens tenham esse tipo de problema. “O infarto em pessoas jovens é mais perigoso porque acomete artérias que não tem o que chamamos de circulação colateral, ou seja, quando oclui uma artéria no indivíduo jovem, não existe fluxo de sangue proporcionado pelas artérias remanescentes ao local do infarto, então ele se torna mais extenso e com maior risco de arritmias fatais”, explica Ayres. Quem passou por essa experiência (nada agradável) para assim mudar de vida foi o radialista e jornalista Rick Santos. Em 2014, aos 45 anos, ele teve um infarto e ficou uma semana internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Naquele momento eu tinha uma vida totalmente estressante, além de executar três trabalhos durante o dia, ainda fui fazer faculdade de Direito à noite, então praticamente não desligava, além disso tinham o sobrepeso, estava com quase 104 quilos, e o sedentarismo”, conta. Ele disse que teve sorte, porque notou quando os sintomas apareceram. “Começou com um enjoo incessante e forte que mesmo com os remédios não passava, depois foi passando a dor para o braço esquerdo e uma dor muito aguda no peito. Foi aí que acendeu o sinal de alerta”, explica. Depois desse episódio ele mudou totalmente seu estilo de vida. “Pra evitar que isso aconteça novamente deve haver uma transformação radical. Muita gente fala que a vida do cardíaco é uma vida normal, mas isso infelizmente é uma banalização. Porque é necessário ter uma vida regrada, disciplina com os remédios, nas atividades e alimentação”, afirma. Taxa de mortalidade: um desafioUm levantamento da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), por meio do Projeto Infarto, aponta que a taxa de mortalidade nos hospitais públicos do Estado de São Paulo ainda está longe de ser o ideal. Segundo o professor associado de Cardiologista da USP, Luiz Antônio Machado Cesar, o ideal é que a taxa de mortalidade não ultrapasse 7%. Mas, segundo ele, ainda há unidades com uma taxa que chega a 30%. O estudo apontou também que, entre 2010 e 2020, a taxa de mortalidade por infarto em Santos caiu de 10,56% para 7%. O relatório foi divulgado este mês pelo Projeto Infarto da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, com informações dos hospitais Guilherme Alvaro , Santa Casa, Seção Pronto Socorro Central Sepros C, Hospital Santo Antônio, Hospital Municipal Dr. Arthur Domingues Pinto e Complexo Hospitalar dos Estivadores. “Quando viemos pela primeira vez a Santos, entre 2012 e 2013, conversamos com Prefeitura, responsável pela Secretaria de Saúde, para prover aquilo que estava faltando e que não podia faltar nos hospitais públicos, que é o cateterismo cardíaco. Era um absurdo uma cidade como Santos não ter esse atendimento. Mas isso já melhorou”. Hábitos saudáveis salvam vidasSegundo especialistas, tirando o fator genético, o infarto pode ser prevenido. E os cuidados estão no nosso dia a dia. Evitar alimentação com predomínio de carboidratos e gorduras, enlatados, sedentarismo, tabagismo, dentre outros, pode fazer toda a diferença. Além disso, o estresse e a correria do dia a dia também podem aumentar os riscos “Nós marcamos atividade mais do que a nossa capacidade permite. Isso reflete num estresse exagerado que pode ser mais um fatorpara o infarto em pessoas abaixo de 45 anos para homens e abaixo de 55 anos para mulheres”, explica o cardiologista Carlos Vinetou Ayres. Nos primeiros sinais de alerta, é necessário procurar atendimento médico para um diagnóstico precoce, alerta o médico. Falta de ar, desconforto no peito, náuseas, cansaço fora do normal e suor são alguns dos sintomas. “É preciso ir ao pronto-socorro. A pessoa não pode ficar esperando passar, porque se for infarto, não vai passar”. Segundo especialistas, tirando o fator genético, o infarto pode ser prevenido. E os cuidados estão no nosso dia a dia. Evitar alimentação com predomínio de carboidratos e gorduras, enlatados, sedentarismo, tabagismo, dentre outros, pode fazer toda a diferença. Além disso, o estresse e a correria do dia a dia também podem aumentar os riscos