Choveu 107,2 milímetros em 24 horas na Cidade, informa a Prefeitura; chuvas devem continuar nesta sexta (Gabriel Freitas/Prefeitura de Mongaguá) Um temporal voltou a provocar alagamentos e transtornos para moradores da Baixada Santista entre a noite de quarta-feira (25) e quinta-feira (26). Rios de Mongaguá extravasaram, e a água invadiu parte das casas. Nessa cidade, havia 39 pessoas e sete cães no abrigo montado no Ginásio Arturzão, em Agenor de Campos. Continuará a chover na região nesta sexta-feira (27), provavelmente com menos intensidade (leia mais abaixo). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Prefeitura informa ter chovido 107,2 milímetros (mm) em 24 horas. Com a água acumulada de precipitações anteriores, os rios Aguapeú e Bichoró transbordaram, conforme a Defesa Civil Estadual. Houve pontos de alagamento na Avenida Tiradentes, no Centro, e na Rua 15 de Novembro, na Vila Atlântica. Áreas próximas ao Barranco Alto ficaram completamente inundadas. Parte dos desabrigados atendidos na Cidade está no ginásio desde segunda-feira, no episódio anterior de forte chuva. AJUDA DO ESTADO O Governo Estadual enviou auxílio a Mongaguá nesta quinta-feira (26): alimentos, água, kits de limpeza e higiene pessoal, colchões, travesseiros, jogos de cama, cobertores, caixas de roupas, sapatos e brinquedos, uma cadeira de rodas e 75 quilos de ração para cães e 50 quilos para gatos. A Prefeitura pediu ajuda do Governo do Estado para a remoção das famílias afetadas. A Defesa Civil Municipal orienta a população para evitar trafegar por áreas alagadas, não tentar atravessar vias inundadas, mesmo com veículo, e buscar abrigo seguro em caso de risco. Os rios Aguapeú e Bichoró transbordaram com água acumulada (Gabriel Freitas/Prefeitura de Mongaguá) MAIS CIDADES Em Peruíbe, onde está o maior número de pessoas afetadas pela chuva na região, a Prefeitura informou haver 349 em abrigos e 100 desalojados, que foram para a casa de amigos e parentes. Em São Vicente, houve pontos de alagamento transitáveis na Avenida Augusto Severo e na Rua Mascarenhas de Moraes. Em Guarujá, acumularam-se 44,8 mm de chuva em 24 horas. Caiu uma árvore na Enseada, sem vítimas. Pontos de alagamento foram registrados em bairros. Itanhaém tinha, até a tarde de ontem, duas pessoas e oito animais domésticos desalojados, com 27,61 mm de chuva em 24 horas. Cubatão, com 38,4 mm de chuva em 24 horas, e Bertioga, com 48 mm, não tiveram ocorrências, a despeito de pontos de alagamento. Praia Grande não respondeu até o fechamento desta edição. Ocorrências devem perder intensidade a partir desta sexta As fortes chuvas que atingem a Baixada Santista desde o último sábado (21) devem continuar nesta sexta-feira (27), mas com menor intensidade. Para este sábado (28), a tendência é de precipitações ainda mais fracas na região. Em Santos, o acumulado de fevereiro está 64% acima da média histórica. Até 12 horas de ontem, foram registrados 481,22 milímetros (a média é de 292,9 mm). Bertioga, Cubatão, Guarujá, São Vicente e Praia Grande também superam seus índices médios. Segundo o meteorologista da Defesa Civil de Santos, Franco Cassol, a expectativa é que o Município ultrapasse a marca de 500 milímetros entre hoje e amanhã. Mas ele ressalta que este não está entre os dez fevereiros mais chuvosos da história. O recorde foi em 2020, com 916,6 mm. “Esse fevereiro foi bem acima do normal, mas não há nenhum fenômeno específico atuando, como El Niño ou La Niña. As possíveis causas são a alta frequência de eventos meteorológicos. Tivemos a atuação da ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) e frentes frias em outros dias”, explicou Cassol. O diretor de Comunicação da Defesa Civil do Estado, tenente Maxwell de Souza, afirma que o órgão segue mobilizado no gabinete de crise, monitorando e alertando a população da Baixada Santista. Ele ainda faz uma importante observação sobre a situação de Peruíbe. “A cidade recebeu mais de 500 mm de chuva desde sábado. Só no Município já temos praticamente 65% do volume esperado para o ano inteiro”. Em Santos, avenida alagada na Zona Noroeste Em Santos, onde choveu 50,2 mm em 72 horas e os morros estão sob atenção, sem ocorrências, uma cena se repetiu: o alagamento da Avenida Nossa Senhora de Fátima, principal ligação entre a Zona Noroeste e a entrada da Cidade. A Prefeitura diz executar um plano de macrodrenagem da região e que estima amenizar o problema em cinco anos. As enchentes na Zona Noroeste decorrem, principalmente, de dois fatores: a maior parte da região fica abaixo do nível das marés mais altas, e o sistema de drenagem local — obstruído por descartes irregulares de lixo e desgastado pelo tempo — tem tubulação de dimensões inadequadas. O secretário de Governo, Fábio Ferraz, afirma estarem previstas cinco estações elevatórias, que Prefeitura crê serem capazes de reduzir o impacto dos alagamentos. Fazem parte do programa Santos Mais, em seu primeiro ano de obras. Uma estação elevatória, a 6, no Saboó, deve começar a ser feita em março. A zero, na entrada da Cidade, ainda neste semestre. São previstas outras: 4 (Vila Gilda), 2 e 9. A 7, no Castelo, já funciona.