[[legacy_image_263579]] Consultor de inovação do Sebrae na Baixada Santista, Marcio Cruz fala a respeito de como funciona o programa destinado às startups, além de comentar como as pessoas acabam adequando a tecnologia às suas vidas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O Sebrae tem um programa direcionado para startups? Sim, a gente atua aqui no Sebrae Baixada Santista com startups há mais de cinco anos. Já atendemos mais de 100 de todos os segmentos e, desde o último ano, temos uma vertical portuária. Ela atua nos segmentos de Economia Azul, Porto e Logística. As verticais são programas de startups, aceleradoras que atuam em um segmento específico. Vivemos hoje, declarada pela ONU (Organização das Nações Unidas), a década da ciência oceânica. Em cima disso, o Sebrae entendeu a importância que a Economia Azul tem no setor econômico. Dentro disso, a gente ampliou o conceito do programa, antes mais focado na questão portuária, trazendo uma visão mais moderna e adequada a que o mundo está trabalhando, que é desenvolver todos os conceitos ligados à economia do mar: lazer, esporte, gastronomia, exploração de minérios no mar, petróleo offshore, pesca, extrativismo de forma geral e também a questão do Porto, que é a administração pública do mar, defesa, enfim...Todas essas questões têm problemas e permitem que startups possam atuar para melhorar condições de trabalho e eficência na gestão do Porto. Qual a principal dificuldade para a pessoa tirar uma startup do papel? As startups têm uma trilha a seguir. E ela passa, primeiramente, por uma questão de validação para entender se aquela ideia faz sentido para o mercado. Então, o primeiro passo que a startup precisa fazer é romper com o amor que todo dono do negócio com aquilo: tem que ir ao mercado e entender se aquilo que ele está pensando em fazer faz sentido para quem vai consumir. Diferentemente das empresas tradicionais, as startups não começam faturando. Elas têm uma curva de construção da tecnologia até que consegue colocar o produto mínimo viável no mercado, que é o MVP, e é por esse teste que começa a ter os primeiros clientes. Mas ainda demora um tempo para adquirir faturamento mensal para pagar as contas. As startups passam pelo que chamamos de vale da morte. Precisa validar a ideia, a tecnologia e colocar isso no mercado para começar a vender a qualquer um em qualquer lugar. As pessoas precisam querer aquilo que você produz pra aumentar o acesso. O Sebrae oferece toda a orientação para startups em todos os estágios? Exatamente. O Sebrae trabalha como uma plataforma se conectando a ecossistemas de inovação. Dentro disso, a gente tem um braço no Sebrae chamado Sebrae for Startups. A gente, então, tem soluções através de uma esteira, que vai conduzir o empreendedor desde a fase inicial, onde desenvolve a ideia de negócio dele, até a internacionalização. Também ajudamos na captação de recursos e no financiamento do experimento, por uma parceria que temos com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e a USP. Também colocamos recursos via Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) nas startups por editais para as que chamamos de científicas. O incentivo à pesquisa é importante. São soluções para a nossa vida... Nós, seres humanos, formamos uma 'tecnoespécie' porque usamos tecnologia para adequar o mundo às nossas necessidades. Conforme a gente passa a fazer isso, é que a gente vai dando significado ao que é criado porque encontramos na tecnologia uma forma de que ela nos ajude no dia a dia naquele problema que é nosso. E as startups aprendem isso. Quando lançaram o PIX, teve uma moça que traiu o namorado e ela começou a usar o PIX pra mandar mensagens a ele. Então, é a gente que cria o significado da tecnologia. Se para o Banco Central fizesse sentido usá-lo como mensageiro, poderia ter evoluído para isso. Quando se coloca uma tecnologia no mercado, não é exatamente aquele uso que vai ser feito pelas pessoas. Elas podem dar novos sentidos àquilo e, através desse retorno de informação para a startup, é que a empresa vai dando direcionamento à tecnologia dela.