[[legacy_image_18490]] Não há dados científicos comprovando que a redução ou a ampliação o horário de funcionamento das atividades econômicas pode ajudar a diminuir a propagação do coronavírus. Especialistas entrevistados pela Reportagem dizem o principal é que os estabelecimentos cumpram as regras, observando capacidade máxima, distanciamento, higiene e uso de máscara. Para isso, esperam consciência de comerciantes e fiscalização por parte do poder público Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços! O Plano São Paulo, do Governo do Estado regrediu para a fase amarela, obrigando os estabelecimentos a funcionarem, no máximo, 10 horas por dia. Comerciantes e algumas prefeituras, como a de Santos, são contra a diminuição e pedem revisão das regras. Acham que quanto mais tempo de funcionamento, menos concentração de pessoas. “Vejo alegações de que não existe evidência que diminuindo o horário (do comércio), diminui o contágio. Mas também não existe evidência de que ampliando o horário reduz o contágio, por espalhar mais as pessoas. Deve predominar o bom senso. A ciência mostra que quanto mais as pessoas circulam, maior a chance de contrair o vírus”, afirma o infectologista Evaldo Stanislau. Segundo ele, as pessoas não deveriam sair de casa para coisas irrelevantes. “Um comércio menos essencial, numa condição de extremo controle, poderia abrir, sobretudo pela época do ano. Mas bares, restaurantes, quiosques, consumo de bebida alcoólica sem nenhuma fiscalização, é um absurdo completo. O que vemos em Santos é a ausência completa de fiscalização”. Para ele, o Governo do Estado foi “modesto” e deveria ter reduzido ainda mais as atividades por conta do número crescente de casos. “Restringindo a abertura apenas as atividades essenciais. É um desrespeito a nós profissionais e às pessoas que faleceram”, diz Stanislau. Para o infectologista Leonardo Weissmann, ampliar o horário de funcionamento reduzirá o risco de aglomerações. “Mas isso não é o suficiente. É preciso fiscalização para coibir os abusos, e que as pessoas tenham consciência de que estamos em uma pandemia, com casos aumentando. Uma boa possibilidade neste final de ano é fazer as compras pela internet, sem sair de casa e se expor ao risco”. Sobre os bares, Weissmann pondera que muitos têm ambientes fechados, onde pessoas ficam sem máscaras e próximas. “O que pode levar a supercontágios. Fechar bares seria péssimo para os comerciantes, mas se levarmos em conta que as pessoas pararam de tomar cuidado e estamos vendo o número de casos e óbitos aumentando, tal medida pode ser inevitável”. A infectologista Raquel Stucchi também acha que o horário ampliado do comércio pode ajudar. “Se restringir o horário, as pessoas vão naquele horário mais estreito e isso vai gerar aglomeração, não só nos pontos comerciais, mas também no transporte público. Mas é preciso ter fiscalização do número de pessoas nos estabelecimentos e obedecer aos limites”. Raquel acredita que os bares e restaurantes representam uma parcela importante da economia e empregam muita gente. “O que precisa é um controle adequado. Se são cinco mesas permitidas, elas não podem se multiplicar, não se pode servir quem esteja em pé”. Sindicato O presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes (SinHoRes), Heitor Gonzalez, diz que diminuir horas de funcionamento aglomera e causa demissões. “Deve-se aumentar o número de horas, até mais do que já estava na fase verde. Falta educar e fiscalizar, esse deve ser o principal foco do Estado e dos municípios”. Para ele, a fiscalização precisa agir igual com todos. “Ou vira hipocrisia. E os problemas que temos nos ônibus? Fui na farmácia e no supermercado e estavam lotados. Para umas coisas pode? Mas concordo que tem bares que não fecham 1 hora nunca, a fiscalização não acha esses bares?”. Estado afirma que ainda está avaliando pedidos O Governo do Estado afirma que está avaliando os pedidos e sugestões sobre o funcionamento do comércio nestes dias que antecedem as compras de Natal. Na semana passada, o Plano São Paulo apertou as regras, regrediu todo o Estado para fase amarela e reduziu o horário de funcionamento de lojas, shoppings, bares e restaurantes. Agora, algumas cidades querem horário mais amplo. Em Santos, a sugestão é abrir shoppings 24 horas, como foi feito no Rio de Janeiro. “Limitar o horário do comércio não contribui em nada para o enfrentamento à pandemia. Pelo contrário, pode estimular a aglomeração. Já pedimos ao Governo do Estado para ampliar o horário de funcionamento de bares e restaurantes para 12 horas e shoppings para 24h, com 40 % da capacidade de atendimento”, afirmou o prefeito de Santos Paulo Alexandre Barbosa, garantindo que seguirá com fiscalização "rigorosa". De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, os pedidos e sugestões sobre o assunto foram apresentados ao Centro de Contingência do coronavírus. “As propostas serão avaliadas pelos especialistas com base em critérios científicos e de saúde”, afirmou a pasta. Responsabilidade Por ora, a Secretaria diz que recomenda aos prefeitos seguir as ações de combate ao coronavírus indicadas pelo Plano SP e garante que atua com responsabilidade e transparência, sempre amparado pela ciência. Fora Santos, São Vicente também flexibilizou, por meio de decreto, algumas regras. Em Praia Grande, o comércio continua funcionando como antes, enquanto a Prefeitura planeja medidas. Apesar de ainda não ter definido data, nos próximos dias, o Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), presidido pelo prefeito Paulo Alexandre, deve se reunir para discutir o assunto de forma regional.