A estilista e designer têxtil Aline Curzi conciliou o Instagram e as feiras criativas com um ponto físico (Vanessa Rodrigues/AT) A loja on-line ganhou tração e cresceu para além dos limites das telas de celular, computador e tablet. Então, o ingresso no meio físico vira um desafio diário para muitas empreendedoras. Pois tornar essa passagem tranquila e sem sobressaltos é o que as empreendedoras que buscam apoio do Sebrae mais desejam, de acordo com a consultora de negócios do Sebrae, Bianca Marsaioli. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Observamos esse movimento com bastante frequência. Muitos empreendedores começam no digital porque o investimento inicial é menor. Estando no digital, é possível testar produtos e serviços e entender como os clientes respondem. Quando a demanda se torna mais frequente, a abertura de um ponto físico passa a ser uma estratégia de crescimento”. Para ela, o risco principal é o aumento dos custos fixos antes que o negócio tenha faturamento suficiente para cobri-los. “Um ponto físico envolve custo com aluguel, funcionário, estoque e outras despesas que não existiam ou eram menores no digital”, explica, lembrando que não existe um prazo ideal para essa ideia de conversão. “Não há padrão para isso. O mais importante é que haja planejamento, com operação validada, fluxo de caixa saudável e uma demanda consistente que justifique esse novo investimento. Se o empreendedor já conhece seu público, tem previsibilidade de vendas, controle financeiro e percebe que o espaço físico realmente contribuirá para crescer, a transição tende a ser mais segura. O mais importante é a realização de um planejamento, e não apenas na percepção de que ‘chegou a hora’”. Segundo ela, esse movimento é comum no varejo de moda, beleza, acessórios, decoração, alimentação, confeitaria e artesanato. “Também acontece com empresas de serviços que começam atendendo só pelas redes sociais e, com o crescimento, passam a investir em um espaço físico para melhorar a experiência do cliente e fortalecer a marca”. Bianca reforça que a passagem do on-line para o negócio físico não é algo excludente, podendo as duas opções conviverem plenamente. “Hoje, o mais recomendado, é integrar os dois canais. O consumidor transita entre o digital e o presencial com naturalidade. O ponto físico fortalece a experiência, enquanto o digital amplia o alcance e facilita as vendas. O ideal é que os dois canais conversem entre si”. Sonho que ganhou endereço A estilista e designer têxtil Aline Curzi entendeu que inovação não cabe num único espaço. Dessa forma, nasceu, há 6 meses, o seu ateliê no bairro do Gonzaga, em Santos. “Comecei em feiras e, com o Instagram (ainda não tenho e-commerce), validei meu produto e fiz clientes nesses formatos. Hoje, depois de 4 anos, tenho o meu ponto físico”. O espaço, numa sala comercial, é a “cara” de Aline. “Antes, o ateliê era no meu apartamento e eventualmente atendia algumas clientes desconhecidas que vinham do Instagram ou indicação em casa, o que não era ideal. Mas agora, o espaço, embora pequeno, é suficiente para produzir e atender com mais profissionalismo, conforto e exclusividade”. “Exponho em feiras, e é mais uma divulgação. Sempre me perguntam onde me encontrar”. Ela conta que a ajuda do Sebrae a encorajou a tomar essa decisão pelo espaço físico. “Casou com uma oportunidade de locação, não era exatamente como eu sonhava, mas está ótimo por enquanto. Queria um espaço maior, mas será o próximo passo”. Quanto aos desafios, segundo ela, não difere de outros empreendedores. “Temos que batalhar pelos clientes e pelo produto. Então, é uma melhora contínua, para ter o que ele quer e oferecer o que vai trazer benefício para ele”. O segredo, para ela, é valorizar a experiência do cliente. “Minha embalagem é diferenciada - uma sacola de tecido que você pode usar como bolsa. Meu é personalizado”. Dicas A consultora de negócios do Sebrae, Bianca Marsaioli, dá dicas para que essa mudança seja feita de forma menos traumática possível. A principal delas é o planejamento - antes de abrir um ponto físico, é importante fazer um plano financeiro, estudar a localização, realizar cálculos e entender se a demanda é suficiente para arcar com todos os custos. “Também cabe fazer essa migração de forma gradual, mantendo a presença no digital e usando os dois canais de forma complementar. Assim, o empreendedor reduz riscos e amplia as oportunidades de crescimento”, finaliza