[[legacy_image_43766]] Desde que ficou desempregada, em 2019, Edna Engelmann, moradora da comunidade México 70, na Vila Margarida, em São Vicente, acumulou 20 contas de energia elétrica sem conseguir pagar. Ela e a filha, Larissa Engelmann, de 31 anos, temem não apenas o corte no fornecimento, mas também uma eventual necessidade de vender a residência onde moram para quitar os débitos. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Edna trabalhava como ajudante de limpeza na Escola Municipal Paraíso Infantil, creche comunitária localizada na Vila Margarida, em São Vicente. Segundo a filha, ela foi dispensada e não recebeu os direitos trabalhistas, que seriam suficientes para evitar o acúmulo de contas. Desde a perda do emprego formal, a moradora do México 70 não teve mais renda fixa. Ela realiza coleta e reciclagem de lixo por conta própria, mas os valores não são suficientes para arcar com as contas de luz, que acumulam mais de R\$ 5 mil em débitos. "Ela é uma vencedora, chegou aqui grávida e solteira. Depois de 31 anos na favela, a casa é a única coisa que minha mãe tem. A gente tem medo de ela perder a casa e ficar novamente sem ter onde morar", desabafa Larissa. A filha conta que antes de morar na residência atual, Edna esteve por 16 anos no fundo de um beco, em uma casa de bloco que ela própria construiu. Em seguida, houve a remoção dela e de outras famílias que moravam no entorno. A moradia em que Edna vive há 12 anos foi construída pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Estado de São Paulo. "Tenho visto ela se dedicando muito ao trabalho de reciclagem, mas por uma certa agonia, preocupação com a situação. Tem mais de dois anos que ela não tem renda alguma. Ela insistiu, pagando as contas de água com o trabalho de reciclagem, mesmo sem renda fixa. Mas a energia não foi mais possível pagar", explica a filha. Para tentar reverter a situação e salvar a moradia, Larissa divulgou o caso nas redes sociais e pede ajuda para a mãe finalmente quitar as contas. Quem tiver interesse em ajudar a família pode entrar em contato pelo telefone (13) 97411-7315. [[legacy_image_43767]] Resposta Em nota, a CPFL Piratininga, responsável pelo fornecimento de energia elétrica, declarou que trouxe, desde o início da pandemia, alternativas de pagamento para facilitar a quitação das contas de energia. "Os clientes que estiverem com uma ou mais contas em atraso podem pagar e parcelar o crédito em aberto em até doze vezes nos cartões de crédito Mastercard e Visa e também via boleto", diz a empresa. Ainda segundo a nota, um levantamento feito pela CPFL em janeiro deste ano mapeou 25 mil clientes na região da Baixada Santista que ainda não são cadastrados como Baixa Renda, podendo ter o benefício do desconto nas contas de energia. Caso a pessoa se enquadre nos requisitos, pode se cadastrar nos canais digitais da distribuidora, pelo site ou aplicativo CPFL Energia, e informar os documentos e comprovantes solicitados. A Secretaria de Educação de São Vicente disse que a creche mencionada era administrada por uma associação conveniada, sem administração direta do município. A prefeitura ressalta que todos os encargos trabalhistas são de responsabilidade da associação, que não presta mais nenhum serviço para a cidade.