[[legacy_image_33211]] As fotos que ilustram esta matéria poderiam estar em uma reportagem sobre as espécies encontradas na Mata Atlântica ou sobre os bichos de algum zoológico Brasil afora, mas o tema aqui é outro: saguís, sanhaços, lagartos, sabiás, maritacas, papagaios, tico-tico, pica-pau e saíras encontraram no alto da Ilha Porchat, em São Vicente, um bom motivo para voltar ao convívio urbano. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Ali no topo da ilha, onde Oscar Niemeyer deixou sua assinatura no Memorial dos 500 Anos, a atitude de um professor vem se tornando um novo atrativo turístico e a prova de que o ambiente urbano pode se tornar atraente para todo tipo de fauna, desde que em convívio harmonioso com o homem. [[legacy_image_33212]] Tudo começou há dois anos, quando Marco Antônio Teixeira de Moraes começou a passear com seus cachorros até o alto da ilha. Ali conheceu Octaviano Monteiro Martins, servidor da Prefeitura encarregado de manter limpo o local, que serve de mirante para observar toda extensão da orla. Vez por outra, Octaviano deixava umas bananas na mureta do mirante, e começou a perceber a presença de saguís. Inventivo e habilidoso, Marco Antônio teve a ideia de fabricar, ele mesmo, umas bandejas de madeira e dispor mais frutas para ver no que dava. Deu certo. Aos poucos, pássaros de diversas espécies começaram a aparecer onde nem mais pardais se empoleiravam. Dia após dia, Marco Antônio foi incrementando o cardápio, animado com a chegada de cores novas às árvores e a algazarra dos pássaros em busca de alimento. Às bananas se juntaram mamão, caqui, laranja, manga e tudo que ele encontra de mais barato na xepa, o momento da feira livre onde os preços são mais baixos. O ponto alto das refeições é quando aparecem os saguís, que se esparramam nas bandejas. “Percebi que são uma família, e que vem crescendo ano após ano”, diz. Observando seus hábitos, reparou que no frio eles se mantinham mais unidos e chegar às bandejas era mais custoso. Assim, construiu uma casa de madeira no alto de uma árvore, para que ficassem mais protegidos e não abandonassem a frequência ao local. Íntimo dos bichos, deu nome aos filhotes que foram nascendo: Pirulito, Bolacha, Biscoito, Chico, Drica. [[legacy_image_33213]] Ajuda Marco Antônio mora a poucos metros dali, então, levar as frutas não dá trabalho, segundo ele. Mas o compromisso tem custo, que chega a R\$ 300,00 por mês. Ainda assim, não pensa em abandonar essa conquista, mas faz um apelo. “Quem quiser ajudar com frutas pode trazê-las e deixar aqui. Sempre tem um funcionário da Prefeitura que pode guardá-las para a refeição do dia seguinte”. A agenda do professor com os animais começa cedo. Ele chega por volta das 7h30, recolhe as bandejas para a limpeza com água e escovão e só então dispõe as frutas frescas e meticulosamente fatiadas para a clientela. Uma bandeja fica mais distante, esticada por um sistema de roldanas que ele mesmo criou. A outra fica mais próxima da mureta, ao alcance de quem quiser deixar ali sua contribuição. “Mas não pode ser qualquer alimento. Precisa ser fruta”, avisa. [[legacy_image_33214]] Marco Antônio também é engenheiro e publicitário, mas diz ter encontrado seu propósito de vida na sala de aula, como professor de Matemática para alunos da rede municipal . “É onde me realizo, onde me sinto bem, onde sinto que passo o conhecimento que adquiri durante a vida”. Sobre o ritual com os bichos, sua filosofia é cristalina: “Não sou eu que faço um favor para eles. São eles que me ensinam todos os dias”. [[legacy_image_33215]]