[[legacy_image_262742]] Uma polêmica desembarcou em São Vicente. Na bagagem, questionamentos de munícipes e a surpresa quanto a uma decisão, segundo eles, unilateral da Prefeitura. A nova Rodoviária ainda está longe de sair do papel, mas tem desagradado a moradores da Praça Bernardino de Campos, no Centro. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A mudança do terminal, hoje no Parque Bitaru, foi anunciada pelo prefeito Kayo Amado (Pode) no dia 14. Segundo o Município, o prazo de construção é de um ano, contado após a emissão da ordem de serviço à vencedora da concorrência. O novo equipamento deverá ter lanchonetes, lojas, sanitários e espaço coberto para os ônibus. A Prefeitura ainda planeja completa reurbanização na praça. “Há três pontos cruciais que contrariam a construção da Rodoviária nesta praça; a maioria dos moradores é de idosos; a grande quantidade de casas antigas, que não possuem garagem, fazendo com que os proprietários deixem os carros na porta; e um dano ambiental, com retirada de árvores, muita poluição e barulho”, diz o comerciante Gilmar Flor, um dos autores de um abaixo-assinado contra a obra. Até o fim da tarde de ontem, havia mais de 500 assinaturas. Sons e ruídosA Tribuna esteve na Praça Bernardino de Campos e, de cara, notou um canto: maritacas, abrigadas em árvores. Na praça, coqueiros e palmeiras ornam o ambiente, e moradores temem sua remoção. Ao redor dela, também há espaço para passeio de cães, livres ou com seus tutores. “E é incabível uma rodoviária no meio da praça. Vão alegar que as árvores estão doentes para poder derrubá-las?”, questiona outra moradora, que não quis ser identificada. A aposentada Hilda Lopes de Assis, de 85 anos, teme que as décadas de boa convivência naquela área sejam acompanhadas de barulho e insegurança. “Como se vai fazer para dormir? Sou uma pessoa de idade, moro bem embaixo de onde os ônibus vão passar, com gritaria. poluição, barulho e muita gente, dia e noite”, reclama. Sócio de uma academia na Praça Bernardino de Campos, Jeorge Karwaski teme reflexos em seu negócio. “Tem alunos falando que não sabem se vão seguir por aqui, por possivelmente não ter onde estacionar. Temos dúvidas sobre como vai ser esse projeto. A falta de informação é o que pega. Caiu no colo de todo mundo, sem analisar o impacto na vida das pessoas.” Outro ladoProcurada, a Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb), informa que “a área definida para a construção da Nova Rodoviária, que vai funcionar de forma permanente, está localizada na região central, onde já se concentram atividades de comércio e serviço”. Na justificativa para a escolha do local, a Administração Municipal afirma que “(...) a implementação favorece tanto o próprio centro comercial, quanto o acesso à área histórica e turística da Cidade e, portanto, foram verificados os enquadramentos urbanísticos. Além disso, as vias próximas já são percursos de acesso ao centro, por veículos médios e ônibus.” Quanto a possíveis impactos nas edificações do entorno, com a construção do equipamento, a Prefeitura argumenta que “é feito um laudo cautelar para verificar possível aparecimento de problemas nas construções vizinhas”. A respeito das árvores, “sempre que alguma é suprimida, haverá a compensação ambiental, assim como está ocorrendo nas obras da nova orla do Gonzaguinha”, menciona a Administração.