[[legacy_image_284978]] “Parecia que eles estavam gostando de ver ela me agredindo”, diz Sonia Rosa Domingos, de 48 anos, agredida por uma funcionária do Centro Regional de Oncologia Infantil (Croi), na Vila Margarida, em São Vicente. Indignada, ela afirmou à reportagem que nenhum funcionário do local tentou impedir a violência. “Ela me jogou no chão, começou a me chutar e tentou arrancar o celular de mim. Fiquei indignada que os funcionários ficaram todos ao redor sem me dar chance de defesa e vendo ela fazer aquilo tudo”, desabafa. A mulher afirma que, na sequência, foi puxada pelo braço e arrastada para fora por um homem que trabalha na unidade. “Eu pedi para parar, mas ele me pegou com brutalidade”, relata. De acordo com a vítima, ela precisava verificar o estado de uma consulta com um neurologista solicitada para a neta há 2 anos e que nunca teve retorno dos órgãos de saúde municipais. Em maio, a solicitação foi refeita, e um prazo de dois meses para um retorno foi dado. Passados os dois meses sem respostas, a mulher foi ao Croi pedir informações sobre o andamento do pedido. Ao chegar lá, Sônia diz ter sido maltratada pelos funcionários do local. Quando chegou sua vez de ser atendida, os servidores levantaram-se e saíram, afirmando, de maneira sarcástica, que iam tomar café e que, se ela não quisesse esperar, que voltasse outro dia. Momentos depois, ela retornou ao local com o celular em mãos, com o objetivo de fazer gravações de denúncia. Nas imagens gravadas, é possível ouvir a mulher fazendo críticas ao atendimento do local. Em seguida, uma das funcionárias vai até ela, a ameaça e inicia uma série de agressões físicas. “Corri um risco de morte e isso não pode ficar impune”, protesta. Agora, a vítima diz buscar a justiça para tomar as devidas providências. DescasoSonia conta que o descaso com o atendimento na unidade não é novo. “Essa moça (a agressora) já debochou de mim. Num dia que estava lá, ela falou ‘lá vem essa manca’”, conta. A funcionária falava, em tom de escárnio, da condição física da mulher, que ficou debilitada em razão de dois acidentes de trânsito sofridos em 2021. Em outra ocasião, ela pediu à servidora que aparece no vídeo para acompanhar a filha e a neta em uma consulta, visto que, pelo fato de a filha trabalhar, era ela quem cuidava da criança e saberia responder melhor às perguntas do médico. Ao ter seu pedido negado, Sonia tentou argumentar e foi mandada calar a boca. PrefeituraEm nota, a Prefeitura de São Vicente informa que apura o caso e, após as investigações internas, vai definir qual medida será adotada. No comunicado, a Prefeitura afirma que a servidora, que atua há 11 anos na Secretaria de Saúde (Sesau), nunca esteve envolvida em atos de indisciplina. A administração municipal comunicou que prestará assistência às duas partes e reforçou que repudia qualquer ato de violência. Outro ladoTanto a paciente quanto a funcionária do Croi registraram boletim de ocorrência. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), a servidora, uma mulher de 39 anos, relatou às autoridades que a paciente desrespeitou os funcionários e criticou o atendimento. No relato, a servidora afirmou que ambas entraram em luta corporal e que, em dado momento, a paciente tentou agredi-la com um cabo de vassoura, mas foi contida por outro funcionário.