[[legacy_image_291188]] Moradores de São Vicente, no litoral de São Paulo, mobilizam-se contra a ação que pretende fechar o Pronto-Socorro Parque das Bandeiras, na Área Continental, para reforma. Um protesto já aconteceu na última quinta-feira (17), na Câmara Municipal da Cidade, e há outro previsto para esta quinta-feira (24), em frente à Prefeitura. Veja o vídeo mais abaixo. O Município anunciou, no último dia 11, que a licitação para a reforma já está em andamento. De acordo com a Administração Municipal, as obras terão investimento de R\$ 1,5 milhão, cujo recurso é proveniente de parte da venda do terreno da Avenida Capitão-Mor Aguiar, onde funcionava a antiga Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedup). Para os moradores, no entanto, a notícia não foi bem recebida. Eles defendem uma reforma no local, mas questionam o motivo para as obras resultarem no fechamento integral da unidade. Outro obstáculo será o deslocamento para outros locais na busca por atendimento. A concentração desta quinta-feira (24) será às 14h e o protesto às 14h30, em frente à Prefeitura de São Vicente. Falta de consulta públicaO advogado Rui Elizeu, que milita em prol dos direitos da população, está atuando gratuitamente junto aos moradores contra o fechamento da unidade. Em entrevista para A Tribuna, ele defende que a reforma é necessária, mas que os vicentinos não receberam aviso prévio sobre a suspensão das atividades. Ele acredita que a medida vai deixar os cidadãos vulneráveis. “Essas pessoas precisam desse P.S. aberto, funcionando. O que esses moradores querem é que façam as reformas sem fechar, de alguma forma”, critica. “A Prefeitura decidiu fazer isso sem uma consulta pública”. Rui afirma que muitos moradores estão indignados com o anúncio, mas reconhecem a necessidade de fazer melhorias na estrutura do P.S. De acordo com a Prefeitura, o Pronto-Socorro Parque das Bandeiras realiza cerca de 6.700 atendimentos por mês e atende aproximadamente 230 pessoas por dia. “Eles não são contra a reforma. Nós precisamos de reformas, mas coisa de trocar algum fio, fazer reparos, trocar porta. O interessante é que essa reforma não vale o fechamento do P.S., que funciona 24 horas”. ‘Temos necessidade do P.S.’A dona de casa Rosângela Nascimento, de 59 anos, explica à Reportagem que frequenta o P.S. há mais de cinco anos. Ela consegue chegar a pé no local e ressalta que, se não fosse pela unidade de saúde, sua filha poderia não estar mais aqui. “A única coisa que o Pronto-Socorro precisa, que eu acho que é muito dinheiro R\$ 1,5 milhão, é uma de uma boa manutenção. Qualquer hora que você passar, vai encontrar aquilo ali lotado. Só tem o P.S. para nós”, reclama. Rosângela, que foi eleita a gestora do grupo, ressalta que a população é muito grande e nem sempre tem condições de chegar ao P.S. Rio Branco. “O Prefeito mandar o povo ir de bicicleta? Como vai mandar a pessoa infartando ir de bicicleta? A pé de onde eu moro até o Rio Branco é meia hora. O ônibus você espera mais de 40 minutos para pegar e poder chegar lá”, relata. Outro morador, que preferiu não se identificar, conta que tem convênio médico, mas na hora do aperto muitas vezes corre até o P.S. para receber atendimento. [[legacy_image_291241]] “O povo é carente, o povo precisa. Eu, se for olhar pra mim, hoje tenho meu convênio. Mas em caso de emergência onde eu corro? No P.S. do Parque. E muitos moradores têm convênio, mas dependendo da situação até chegar no convênio não vai resistir. Então nós temos necessidade dele”, diz. O homem defende que, para que o P.S. seja fechado, mesmo que temporariamente, deveria haver atendimento de emergência no local. “Ontem à noite mesmo eu estive na praça, fico vendo o movimento lá dentro. Toda hora tem gente entrando para passar no médico. Pelo dia é o mesmo caso”. “Não é justo deixar o pessoal sem atendimento médico, porque pode uma pessoa dar um infarto lá, vem trazer para o Rio Branco. Quando chegar no Rio Branco a pessoa já está em óbito. E aí, quem vai se responsabilizar?, questiona. AlternativasO Município informou, por meio de nota nas redes sociais, que os usuários poderão procurar atendimento no Pronto-Socorro do Rio Branco, a 2,5 quilômetros do Parque das Bandeiras, enquanto durar a suspensão dos atendimentos. Afirmou ainda que haverá uma ambulância 24 horas para prestar assistência pré-hospitalar no P.S. que será reformado. “O trajeto entre os equipamentos, de carro, pode ser feito em apenas seis minutos, de bicicleta em oito minutos e de ônibus (linha 201) em 10 minutos”, diz o órgão no comunicado. Com a mudança, a Estratégia de Saúde da Família (ESF), onde também funciona a U.B.S. (Unidade Básica de Saúde), passará a atender dentro do prédio. Essa medida também é uma reclamação por parte dos moradores. Para o advogado, as alternativas não são suficientes. Ele diz que, caso um cidadão passe mal, será inviável concluir o deslocamento rapidamente, e lembra que pouquíssimos cidadãos têm carro. Os ônibus passam “uma vez na vida, outra na morte”. Ministério Público intervémNo fim da semana passada, os manifestantes entraram com um pedido no Ministério Público contra a medida. “Nós pedimos uma reunião com o promotor, ele vai esperar a resposta da Prefeitura para falar com a gente. Vai uma comissão de moradores falar com ele”, diz Rui. O advogado Rui Elizeu chama atenção para o fato de que boa parte das pessoas atendidas é pobre e não tem plano de saúde. Sendo assim, sairão no prejuízo com o fechamento da unidade. Segundo Rui, foi comunicado aos manifestantes que a Casa Legislativa vai apoiar o não fechamento do Pronto-Socorro. A Câmara Municipal confirma a formação de uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) para acompanhar o caso. Em documento enviado à Prefeitura, faz questionamentos envolvendo o cronograma e custos das obras. Em nota, a Promotoria de São Vicente informa que a representação foi recebida junto ao Ministério Público. O órgão pediu informações preliminares à Prefeitura da Cidade. O que diz a Prefeitura?Por meio de nota, a Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Saúde (Sesau), informa que não há como executar a obra com a unidade em funcionamento, “pois infringiria as normas da Vigilância Sanitária”. Outro obstáculo seria a possibilidade de colocar os servidores e pacientes em risco devido à poeira, ao barulho e outros desconfortos. O projeto da reforma prevê, entre outras medidas, a troca do piso dos andares térreo e superior, revestimento das áreas comuns, remoção de paredes adequação de ambientes, construção de novo local para a farmácia, instalação de revestimentos e pintura de paredes e de portas, instalação de forro de gesso com impermeabilização e instalação de revestimento da área externa. Segundo a Prefeitura, serão disponibilizadas uma ambulância de atendimento pré-hospitalar e uma outra de transporte sanitário (remoção 24 horas) no local. Elas ficarão à disposição no PS ou na UBS. “A Sesau esclarece que o PS Parque das Bandeiras não recebe melhorias há anos, e que vai receber benfeitorias no padrão da Nova Saúde São Vicente, programa que já entregou equipamentos públicos de saúde de alto nível, como o Hospital do Vicentino, Pronto-Socorro do Rio Branco e Complexo de Especialidades Médicas de São Vicente (Cemesv)”, afirma o comunicado. A Prefeitura também ressalta que a estrutura da ESF atual é pequena e alugada, precisando de reparos. “Com a mudança da ESF para dentro do prédio do PS, além de proporcionar mais conforto e espaço aos usuários, a Administração Municipal vai deixar de pagar aluguel de um equipamento que não oferece as condições para o padrão da Nova Saúde São Vicente”. Em relação à representação junto ao Ministério Público, a Sesau ressalta que não recebeu, até o momento, qualquer documento oficial “e que se manifestará oportunamente”. Após o anúncio da empresa vencedora da licitação, a obra deve ficar pronta em cinco meses.