[[legacy_image_272836]] O vereador de São Vicente Alfredo Moura (Pros), que retornou à Câmara na semana passada, foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPSP) por ter comprado um imóvel comercial com dinheiro supostamente desviado do salário de uma funcionária fantasma — contratada, mas que não ia ao local de trabalho. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No documento, consta que o vereador tinha admitido três mulheres para atuar no seu gabinete. Uma das que constavam na folha de pagamento nunca apareceu no Legislativo. A denúncia, protocolada em julho de 2022, foi feita por essa ex-funcionária. Ela alega ter sido usada pela ex-companheira do pai, Eliana do Socorro Alves Silveira — que era servidora pública — e nomeada para cargo comissionado no gabinete de Moura, mas sem nunca ter prestado serviço ao vereador. Na denúncia, ela explica que, de setembro de 2015 a abril de 2016, sacou mensalmente seu salário, em torno de R\$ 10 mil, com Elaine, mas ficava apenas com R\$ 300,00 para pagar seu plano de saúde. De março de 2016 a outubro de 2017, quem receberia o dinheiro seria a filha de Eliana, Amanda Christine Silveira de Carvalho, também empregada no gabinete do vereador. Naquele período, o salário de Amanda era de quase R\$ 13 mil. De acordo com o MPSP, o valor pago às funcionárias fantasmas nesses anos somou mais de R\$ 200 mil. O dinheiro teria sido usado para a compra de um imóvel comercial no Boqueirão, em Santos. Conforme a íntegra do procedimento investigatório elaborado pelo Ministério Público, Moura adquiriu um imóvel em 2015, no valor de R\$ 260 mil, pago mediante entrada e parcelas mensais até novembro de 2017. Por isso, o MPSP pediu à Justiça a condenação do vereador, de Eliana e Amanda por associação criminosa, peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro. "Faculdades mentais"Em entrevista para a TV Tribuna, o advogado Áureo Tupinambá, que defende Alfredo Moura, disse que a denúncia surgiu após uma briga entre a funcionária, a madrasta e o pai da ex-contratada para o gabinete do vereador. “A menina, quando faz a denúncia, fala que teve um caso extraconjugal com alguém, e essa pessoa a iludiu e disse que foi culpa da madrasta, do pai. A gente acredita que ela não estava com as faculdades mentais em dia. Foi algo desconexo. Então, não vamos ter muita dificuldade de provar que foi um mal-entendido”, diz. Até o fechamento desta edição, A Tribuna não conseguiu contato com a defesa de Eliana e Amanda. De voltaAlfredo Moura, que já havia exercido mandatos em cinco legislaturas anteriores, voltou para a Câmara de São Vicente após a recontagem dos votos da eleição de 2020 — feita na última quinta-feira, na 177ª Zona Eleitoral, no Centro de São Vicente. A recontagem foi determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que anulou os votos recebidos pelo antigo Partido Social Liberal (PSL) para a Câmara naquele ano, devido à fraude na cota de gênero na chapa de candidatos. Moura também já foi secretário municipal de Obras e de Meio Ambiente.