[[legacy_image_193756]] A Baixada Santista é cheia de referências no futebol. E foi nesse esporte que Cauê Santiago, de 23 anos, e Larissa Mariano, 20, moradores de São Vicente, miraram para criar um editorial voltado às periferias do Litoral de São Paulo. O projeto transmite a importância das camisas de time para moradores dessas regiões. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Cauê é dono de um brechó on-line, que iniciou em 2020. Em um momento vulnerável após a morte de sua tia, ele começou a se questionar sobre o que realmente gosta de fazer. "A única coisa que me veio na cabeça foi moda. Comecei a pensar como poderia trabalhar com isso", conta o jovem para A Tribuna. Já Larissa é produtora de moda e trabalha em projetos pessoais que passeiam por temas culturais. "É um hobby meu. Tento transformar meus trabalhos em algo que seja inspiração para as pessoas". Junto com o fotógrafo Andrey Haag, eles desenvolveram o projeto visual "A Cultura da Camisa de Time na Quebrada", que ressalta o esporte como fator que tem o poder de transformar social e economicamente a vida de diversos jovens da região. Para Cauê, o ato de vestir uma camisa de time é algo cultural que deve ser respeitado. "Jogadores viram ídolos e camisas de time viram relíquias, se tornam uma conquista. O futebol não é algo fútil, ele tira crianças da rua e dá perspectiva de vida para elas". Corintiana de alma, Larissa afirma se emocionar quando fala sobre futebol. "Muita gente não entende. Futebol é uma vida. Pessoas vivem e morrem por isso. Sou apaixonada, o futebol move muita coisa". A estética que os jovens buscam é ilustrar o lugar que vieram através das roupas. Eles procuram mostrar as periferias e 'provar que a Baixada Santista tem muita arte'. No projeto, a equipe fez a sessão de fotos na Vila Fátima, em São Vicente, usando o próprio local como cenário. [[legacy_image_196692]] Santiago defende a ideia de que, para pessoas com baixas condições financeiras, existem dois caminhos: o de sonhar e o de sobreviver. E, para ele, vestir uma camisa de time é ter um incentivo para permanecer na primeira opção. Na modalidade, existem diversos nomes que são grandes referências e inspirações como atletas revelados em times do Litoral de São Paulo. Eles costumam levantar o nome da Baixada Santista durante suas carreiras, e é isso que o grupo aborda no projeto. Cauê salienta que o futebol 'tira pessoas das periferias para que depois elas ajudem esses lugares'. 'Coisa sagrada'Cauê tem muitas memórias afetivas ligadas ao futebol. No mesmo ano em que sua tia faleceu, em 2019, ocorreu a final da Libertadores. Por mais que a família do rapaz estivesse em luto e dominada pela tristeza, eles se juntaram para ter um momento de descontração proporcionado pelo futebol. "Foi um ano difícil, mas mesmo assim decidimos nos reunir para assistir [o jogo]. Pudemos sentir felicidade em meio a um momento ruim. O futebol traz essa mudança para as pessoas". Ele afirma que o futebol é algo 'sagrado', capaz de criar relações pessoais e definir grupos e estilos. Santiago e Larissa possuem uma coleção de camisas dos times que torcem. Eles expressam paixão e apego pelo acervo, que desejam aumentar ao passar do tempo. [[legacy_image_196693]] Cauê finaliza dizendo que, além de esporte, o futebol é um conceito social. "Usar uma blusa de time não é só estética, mas sim vestir o puro significado social do esporte. É vestir um futuro melhor".