[[legacy_image_131421]] O morador de São Vicente Carlos Willian dos Santos, de 28 anos, corre contra o tempo para vencer a obesidade e realizar uma cirurgia bariátrica. Sem saber ao certo quanto pesa, Carlos afirma que já passou dos 300 kg e que a situação vem acarretando em perda da qualidade de vida nos últimos cinco anos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Carlos conta que a obesidade sempre esteve presente em sua vida, até que aos 18 anos tentou fazer todos os procedimentos para entrar na fila da cirurgia bariátrica. Porém, os médicos o consideravam muito novo para a cirurgia e recomendaram que ele fizesse outros tratamentos. Após a notícia, o jovem ficou desanimado, até que em meados de 2016 sentiu uma forte dor no peito e muita falta de ar. Ao procurar um pronto-socorro, foi informado pelo médico que sua pressão estava muito alta e se tivesse esperado uma hora a mais para procurar a unidade de saúde estaria morto. "O médico disse: 'Se você não perder peso, seu corpo vai começar a falhar e provavelmente você vai morrer antes dos 30 anos. Foi quando eu tive o baque (sic) e percebi que precisava lutar de novo e fazer o que for possível". Carlos passou a lutar contra a obesidade, indo em especialistas em busca da cirurgia bariátrica pelo Sistema Único de Saúde para recuperar sua qualidade de vida. Desde o início, ele afirma que enfrentou dificuldades para buscar informações precisas sobre o especialista que daria o encaminhamento e acabou sendo encaminhado para AMEs e para o Hospital Guilherme Álvaro durante este processo. Há cerca de um ano, ele conseguiu o agendamento - por meio de uma assistente social - com um endocrinologista no AME de São Vicente, que escreveu o encaminhamento da cirurgia, segundo ele. "A médica fez a solicitação da cirurgia bariátrica e desde então estou nessa fila. Fiquei cinco anos brigando por alguém que me colocasse na fila, mas agora que estou nessa fila e não anda". Ao mesmo tempo que aguarda o procedimento, Carlos também afirma que tenta consultas com um médico vascular e um ortopedista. "Eu estou preso dentro de casa. Eu não saio, não consigo andar. Sinto falta de ar, dor na coluna e dor nas pernas. Quando preciso sair não posso pegar nem um ônibus, pois não consigo subir". Resposta Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo informa que não há demanda pendente em nome do Carlos junto à rede estadual de saúde, no momento. O paciente passou por avaliações no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) São Vicente nas áreas de endocrinologia, nutrição e cardiologia. Todas as orientações quanto aos fluxos para a realização da cirurgia foram prestadas ao paciente, que deve retornar ao serviço da rede primária, responsável pelo encaminhamento para as próximas etapas de tratamento. A secretaria também afirma que a cirurgia bariátrica é realizada somente mediante indicação médica e que nem todos com indicação médica para cirurgia bariátrica estão efetivamente aptos a fazer o procedimento imediatamente, por questões de quadro clínico geral não favorável. Além disso, há um período comprobatório, no qual o quadro do paciente é analisado para verificar se o procedimento em si é o mais indicado. "A cirurgia bariátrica é o último recurso utilizado no tratamento, que inclui um suporte ambulatorial e multiprofissional (cardiologistas, nutricionistas, endocrinologistas, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros). A demanda é descentralizada na rede primária de saúde ou serviços de origem do atendimento, que são responsáveis por agendar os atendimentos médicos e multiprofissionais preparatórios nas unidades de saúde de referência para cada caso, bem como o acompanhamento do paciente até que o procedimento seja realizado.", informa a pasta. Já a Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Saúde (Sesau), informa que os pedidos de consultas especializadas do paciente estão na fila de espera da rede municipal. O paciente deve aguardar o contato das equipes, via telefone, para dar andamento ao processo.