[[legacy_image_104475]] A família de Milena Glória Cardoso de Castro, de 19 anos, reclama do atendimento prestado à jovem na Maternidade Municipal do Hospital São José, em São Vicente. Neste domingo (19), a jovem perdeu a bebê, que seria a primeira filha dela e do marido, na 40ª semana de gestação, após ser diagnosticada com toxoplasmose - infecção pelo protozoário (toxoplasma gondii) - que está presente nas fezes de felinos, pombos, roedores, além de alimentos contaminados (verduras, legumes e carnes de boi e porco malpassadas) e que pode causar complicações para gestantes. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Mesmo após o exame que detectou a doença, realizado na Unidade Básica de Saúde (UBS) da Esplanada dos Barreiros, a equipe médica teria dito que não havia necessidade de mudar o tratamento. "Não falaram o grau da toxoplasmose nem se tinha tratamento. E ela foi levando a gestação", contou a dona de casa e cunhada de Milena, Maria Eduarda Oliveira dos Santos, para A Tribuna, nesta segunda-feira (20). Na última quinta-feira (16), Milena esteve no Hospital São José. Apresentava dores e sangramento. "Fizeram mais exames e deu toxoplasmose altíssima. No sábado (17), ela foi de novo, demoraram para atender e a mandaram embora, mesmo com sangramento", disse. Na manhã de domingo (19), ela retornou ao Hospital, e recebeu atendimento apenas durante a tarde, quando realizou um cardiotocografia - exame que avalia o bem-estar fetal. "O coração da bebê estava batendo. Estava fraco, mas ela estava viva". Após a equipe médica supostamente pedir para que Milena voltasse a esperar na recepção, o bebê morreu. "Era pra ser um momento feliz, mas essa negligência aconteceu", desabafou Maria Eduarda. A Prefeitura contesta a informação e disse que, na ida ao Hospital, a paciente não apresentava sangramento ou perda de líquido. Dois exames realizados na unidade constataram que a paciente não estava em trabalho de parto, mas sim com taquicardia fetal. Em seguida, a gestante foi internada para realização da cesárea. Antes do procedimento, a equipe constatou que já não havia mais batimento cardíaco fetal. A nota da Prefeitura continua dizendo que Milena foi encaminhada para realização de ultrassonografia, que confirmou o óbito da bebê. Milena passou pela cesárea e segue internada na Maternidade Municipal, acompanhada de familiar. Pré-natalAinda de acordo com a Prefeitura, a gestante iniciou o pré-natal na UBS Esplanada dos Barreiros, com seis semanas de gestação, e realizou, ao todo, 14 consultas. Devido ao resultado do exame, a gestante foi encaminhada para triagem de pré-natal de alto risco. Após avaliação, seguindo protocolo do Ministério da Saúde, por apresentar avidez alta em sorologia colhida antes de 16 semanas, não havia indicação de tratamento ou encaminhamento para pré-natal de alto risco, visto que a infecção foi adquirida antes da gestação. Em 27 de julho, a gestante repetiu os exames, mantendo o resultado de toxoplasmose. A Secretaria de Saúde esclarece que todos os protocolos de atendimento para este caso específico foram seguidos e respeitados durante todo o pré-natal. A Prefeitura disse se solidarizar com a dor da família e já se colocou à disposição de todos para mais esclarecimentos.